As Decisões de Junho

Em 5 de Junho por decisão constitucionalmente fundamentada do Sr. Presidente da República haverá eleições legislativas. Espera-se uma campanha forte e disputada e deseja-se que as ideias suplantem os estados de alma, de forma a ser possível constituir após a escolha democrática, uma solução governativa sólida e consistente para Portugal.

Durante a campanha muitos temas serão aflorados com mais ou menos paixão. Considero no entanto que em síntese estarão 3 coisas fundamentais em discussão nestas eleições; a soberania nacional e a nossa permanência com autonomia estratégica na zona euro, a manutenção do serviço nacional de saúde e a preservação da escola pública.

Três questões que têm a vantagem de serem tão decisivas como diferenciadoras entre os projectos em confronto, favorecendo escolhas claras dos eleitores.

Comecemos pela soberania nacional e pela autonomia estratégica no quadro da manutenção na zona euro. De um lado estão os que lutaram e lutarão até ao limite por impedir o resgate internacional da nossa economia, que levará á adopção de receitas inadequadas para os nossos problemas, à competitividade forçada pela baixa dos salários e não pelo aumento da produtividade e ao corte cego da despesa sem salvaguardar a prioridade à qualificação e à subida das nossas empresas na cadeia de valor global.

A segunda questão é a defesa e manutenção do Serviço Nacional de Saúde. De um lado estarão os que defendem a sua continuação, com medidas de racionalização e optimização que garantam a sua sustentabilidade e do outro lado estão os que querem privatizar a saúde, o que significa que enquanto o Estado puder pagar as facturas apresentadas haverá saúde para todos, mas quando o Estado não puder pagar, o acesso ficará restrito aos que têm meios próprios para isso.

Finalmente a terceira e última questão chave será a manutenção e reforço da escola pública. Neste domínio estarão de um lado os defensores da equidade de acesso às oportunidades através duma rede forte e prestigiada de escolas públicas e do outro lado os arautos da liberalização da oferta educativa, pagando o Estado parcialmente as escolas de excelência onde estarão os filhos dos que puderem pagar a diferença e restando aos outros frequentar escolas, que por muito boas que sejam, serão sempre escolas de segunda para os que não tiverem meios para pagar o custo de frequentar os colégios selectivos.

Tenho sobre estas 3 questões ideias claras e por isso todos sabem qual será a minha escolha eleitoral. Mas respeito quem pensar exactamente ao contrário e como tal votar em conformidade. Nesta crónica quero apenas dar um contributo para que cada leitor saiba melhor o que está a escolher, quando decidir livremente o sentido do seu voto. São estas as decisões de Junho. Decisões importantes e que merecem profunda reflexão antes de serem tomadas por cada um de nós.
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