Saber do que se Fala (Falar do que se sabe)





Os meus vizinhos do Bairro do Bacelo em Évora conhecem-me. Orgulho-me de palmilhar as ruas do bairro, ora correndo, ora fazendo compras, ora bebericando um café aqui ou ali.



O mesmo acontece com os meus conterrâneos eborenses ou vizinhos lisboetas e com os muitos cidadãos com que quase diariamente me vou cruzando no comboio, no expresso da rodoviária, nas estações de serviço, no Metropolitano, nos supermercados, nas livrarias, nos cinemas, no futebol ou nas mais diferentes lojas e serviços.



Mas será este facto banal notícia e motivo de um texto? Não é isso que acontece um pouco com todos vós? Estou certo que é, mas também tenho a noção que muitos dos responsáveis e dirigentes políticos com que lido diariamente têm uma enorme falta de banho de realidade e só isso lhe permite fazerem com grande à vontade afirmações absolutamente desfasadas com o que acontece no quotidiano da vida das pessoas.



Nos tempos que correm muito se fala da qualidade dos políticos e das políticas. Todos sabem a minha opinião de que quanto melhor for a política e forem os políticos mais desenvolvida será uma sociedade e mais probabilidade de sucesso terá quem nela se integrar.



Os políticos emergem da sociedade. Normalmente têm uma composição ética e de valores e princípios que representam a matriz que os elege. Não quero nesta crónica, publicada em período em que a lei exige alguma contenção falar de políticos bons ou maus. Enquanto a qualidade das ideias é objetiva e própria de cada força política, a qualidade das mulheres e dos homens não é apanágio específico de nenhuma delas. Em todas há gente melhor e gente menos boa, e as avaliações tenderão a divergir em função do carater das análises.



O que quero sublinhar nesta crónica é a importância da proximidade. O carater crucial da interação quotidiana entre representados e representantes, para que quem fala saiba do que está a falar.



A Televisão e os outros “media” permitem aos políticos e a outros agentes entrarem quotidianamente na casa das pessoas. No entanto, à exceção de algumas redes sociais essa entrada ainda é feita apenas num único sentido e sem interação.



Por isso se dizem por vezes coisas que não lembrariam a ninguém que conhecesse minimamente o mundo concreto em que deveria viver. Esta distância enfraquece a relação entre a política e os cidadãos. É cada vez mais preciso falar do que se sabe. E saber do que se fala.







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