O (mau) exemplo de Crato



 

Num tempo em que a propósito dos exageros brutais nos processos autónomos de recepção aos novos alunos nalgumas universidades portuguesas, se fala tanto duma juventude pouco focada nos grandes desafios de participação cívica, o exemplo que do seu “Bunker” na 5 de Outubro o Ministro Nuno Crato vem dando ao País é um exemplo decepcionante e pouco inspirador para essa mesma juventude (e para toda a sociedade portuguesa).

 

Crato revelou-se um homem cheio de preconceitos e de ideias feitas, incapaz de dialogar e de ajustar as suas opiniões no confronto de ideias com os outros atores do sistema educativo.

 

É verdade que já bastas vezes a insanidade das suas propostas e o clamor de repúdio que elas provocaram o obrigaram a recuar, mas em vez de aprender a lição para negociar de forma aberta as novas reformas ou modernizações do sistema, Crato mal recupera fôlego arremete de novo como que possuído por uma incontrolável vontade de vingança.

 

Arremeteu contra a ciência, arremeteu contra a autonomia das escolas e forçou modelos de organização anti-pedagógicos, arremeteu contra as Universidades públicas retirando-lhe os recursos mínimos para um funcionamento e agora arremeteu contra os Institutos Politécnicos, tentando transformá-los administrativamente nas novas escolas industriais e comerciais no velho sistema pré-democrático.

 

Sejamos claros. Boas Escolas Profissionais e Institutos Politécnicos capazes de se focarem na formação dos alunos com competências para as diversas necessidades do mercado de trabalho é algo razoável e um caminho onde é sempre necessário aprender e melhorar.

 

 Se há um consenso na sociedade portuguesa é que o contributo positivo, que também o tinham, das escolas industriais e comerciais, nunca foi cabalmente substituído no sistema educativo nacional.

 

Por outro lado Portugal tem que reforçar a sua capacidade de formar jovens com competências de nível superior para cumprir os seus compromissos com a Estratégia Europa 2020, e para poder competir no mundo pela qualidade dos seus produtos e não pela miséria dos seus salários.

 

Tudo isto é verdade. Agora tentar resolver estes desafios desclassificando os Politécnicos sem atender às suas posições nem dialogar, e depois obrigando-os sem debate a dar cursos pré-fabricados para formar doutores “na hora”, é algo que cheira a fraude intelectual, para ficar apenas pela dimensão cognitiva.

 

E é sem dúvida um mau exemplo para o País e para a sua juventude, que diga-se o que se disser, tem mostrado uma criatividade e uma resiliência que devíamos reconhecer antes de lhe atirar pedras por alguns exageros a que a falta de esperança no futuro não são alheios.

 

 

 

 

 

 

 

  

 

     
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