Relevância





O final do ano é um tempo propício a balanços interiores e também a exercícios de avaliação e tentativa de compreensão sobre as várias dinâmicas que fazem mover o nosso mundo. Somos hoje, com o fácil acesso à informação e com a sofisticação com que ela nos é transmitida, bombardeados diariamente com relatórios ilustrados sobre dezenas de acontecimentos globais, que ocorrem nas mais diversas latitudes e longitudes, numa teia relacional complexa e sobre a qual acabamos por não ter tempo para refletir.



Dediquei por isso a semana menos intensa do Natal, para além de reencontrar pessoal ou virtualmente os amigos e de estar com a família, a ler e pesquisar informação que me permitisse religar ainda que em esboço, as torrentes de informação que diariamente fui recebendo sobre as diversas plataformas em que se desenvolve a geopolítica e a geoestratégia mundial.



De forma descontraída fui lendo sobre as múltiplas alianças e sistemas comerciais e financeiros que arquitetam o mundo em que vivemos e cuja compreensão é determinante para ler os conflitos militares mais ou menos explícitos que trespassam o nosso tempo.



A rede de análise resultante é de uma complexidade extrema. O mais marcante é perceber que estando tudo interligado, acaba por haver um interesse partilhado na contenção dos conflitos e na manutenção de pontes de troca económica e financeira. Uma contenção tensa e com terríveis efeitos colaterais sobre os povos e as regiões que funcionam como válvulas de escape (e de realização do negócio da guerra).



Neste texto de ano novo, focado nas dinâmicas de um mundo interligado para a paz e para a guerra, sublinho um dado que resulta das várias leituras efetuadas. A União Europeia é cada vez mais um anão político na cena internacional, embora esteja envolvida direta ou indiretamente nos conflitos mais perigosos. A quebra de reputação e de relevância da UE é enorme, e mesmo quando se reduz a União ao seu País motor, a Alemanha, o seu papel prospetivo não é entusiasmante.



Temos por isso um desafio de relevância positiva para um espaço económico e político que pugna pelos valores da paz, da tolerância e do respeito pela diversidade. Sem pretender propor nenhuma receita milagrosa, que também não conheço, sugiro uma linha de ação que a Europa do Sul pode desenvolver, para sair ela própria da sua irrelevância estratégica e ser parte da solução para o reequilíbrio global.



Refiro-me ao urgente contraponto à Parceria Transpacífica, com uma dupla Parceria Transatlântica. A parceria da UE com os Estados Unidos e a parceria da UE com o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai como núcleo duro para este efeito). Parcerias relevantes para o mundo, para a UE e que ajudarão Portugal a sair da periferia política em que os defensores do “protetorado” o colocaram.

        



    



  


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