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Conexão e Confinamento

 Numa semana em que as minhas atividades estiveram muito focadas em projetos para garantir que a conectividade, cujo potencial é cada vez maior, tenha como objetivoservir as pessoas e melhorar qualidade da vida em sociedade, garantindo padrões éticos, de privacidade e de proteção cada vez mais difíceis de assegurar, iniciei também, em consequência das normas sanitárias em vigor, um período de confinamento.

 

Não é obviamente sobre mim que quero escrever, mas sobre a constatação que fiz de que quase todos os compromissos profissionais que tinha migraram imediatamente para o virtual. O confinamento rouba-nos os contactos pessoais e a empatia e gratificação que deles resultam, mas em muitas atividades, permite manter quase incólumes as dinâmicas e os contactos.    

 

Vivemos assim, em consequência da pandemia, ou pelo menos do agravamento por elaprovocadonuma sociedade marcada por, entre outras, duas fraturas brutais. A fratura dos afetos e a fratura dos processos.

 

Tenho esperança que a virtualização dos afetos possa ser em breve revertida, ainda que nada volte a ser igual, nem as feridas abertas sejam fáceis de sarar.  Já a fratura dos processos parece-me mais estrutural e por isso mesmo, será fundamental investir com determinação para que ela não se consolide como uma fonte de agravamento das desigualdades, mas pelo contrário, ajude a acionar o elevador social, já perro há algumas décadas nas sociedades modernas e em particular nas sociedades europeias, de que Portugal não é exceção.  

 

A dicotomia entre conexão e confinamento tem marcado também muito campanha eleitoral em curso para as eleições legislativas. Os contactos diretos tornam-se mais difíceis, as ações mobilizadoras no terreno têm que ser contidas e a migração do debatepolitico para os media e as redes sociais, conduz a que se discutam mais os temas disruptivos que seguram audiências e multiplicam partilhas, do que os temas estruturantes que no próximo ciclo farão a diferença.

 

Não é fácil antecipar o impacto que este novo contexto de combate, em vez de debate, terá nas escolhas e na mobilização dos novos eleitorados. A minha intuição é que os eleitores não se deixarão abanar muito pelos novos ventos, porque sabem que quando as luzes se apagarem o que vai contar é a robustez das propostas, os valores que refletem e a fibra de quem as vai por em pratica. Votos de boas conexões, presenciais sempre que a saúde e a segurança o permitirem, e poucos confinamentos.          

 

 

 

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