Visto de Casa (08/05)

Há poucos dias faleceu em Portugal o primeiro adulto com menos de trinta anos, vítima do COVID19. Antes já tinha perdido a vida um adolescente. Ambos tinham outros problemas de saúde que os fragilizaram. O vírus ataca com mais agressividade os mais frágeis, pela idade ou por problemas no sistema imunitário. É um vírus cobarde. Não sei se há algum que não seja.

O Professor Carlos Fiolhais, cientista e professor de física da Universidade de Coimbra, afirmou recentemente numa entrevista que “só há três competidores no planeta: o homem, os vírus e as bactérias”. Embora o professor conclua que “apesar de todos os ataques de vírus e bactérias, a humanidade está mais forte que nunca”, dou por mim a pensar que os nossos concorrentes não são muito diferentes de nós. Também na humanidade temos cobardias que nos envergonham.

Na União Europeia, a política de saúde não é uma política comum, exceto algumas dimensões de proteção civil e de garantia da saúde pública. A soberania sobre as políticas de saúde é dos Estados-membros, embira ao longo dos anos tenham vindo a multiplicar-se ações conjugadas de registo e troca de informação, deinvestigação científica e de desenvolvimento de soluções inovadoras ou de compra conjunta de medicamentos, entre outros exemplos.

A pandemia veio mostrar a importância determinante da conjugação de esforços em saúde, no plano global e mais em particular no plano da União. Acredito que acontecerá com a saúde o que aconteceu há alguns anos com a energia, ela também uma competência dos Estados membros. 

Com a energia, a perceção do risco de dependência estratégica da União Europeia de fornecedores externos, em particular da Rússia e dos EUA, levou à criação de uma política comum, à constituição da União da Energia, à aprovação de múltiplas diretivas e de um regulamento de governação de que fui corelator em representação do grupo dos socialistas e democratas. Algo similar, embora ainda que mais embrionário aconteceu com a União Digital, para não falar da ainda inacabada União Monetária e Financeira.

Ontem o grupo que integro propôs formalmente a criação de uma União da Saúde para responder à ameaça do COVID e precaver ameaças futuras. Não são apenas as respostas de saúde pública ou de proteção civil que têm que ser articuladas. Também os sistemas de saúde devem seguir padrões comuns de serviço aos cidadãos e de otimização das respostas.

A consciência da necessidade é um terreno fértil para pormos o engenho a render melhores respostas e melhores serviços. Até amanhã, com muita união e saúde para todos.    





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