Visto de Casa (03/05)

A corrida para a validação de uma vacina que nos proteja deste Coronavírus e de todos os outros da mesma família está ao rubro. Quase uma centena de protocolos de investigação avançada e acelerada foram aprovados. Uma dezena estão muito avançados. Alguns começaram a fazer testes em humanos.  

Os melhores cérebros, as melhores empresas, os laboratórios e os investidores públicos e privados de todo o mundo estão a conjugar esforços e a trabalhar dia e noite para que no outono renasça a primavera, e que uma vez renascendo, possa chegar a todo o mundo e não apenas aos mais abonados.

Numa recente conversa com um amigo, ele alertou-mepara uma analogia potente. O COVID19 não se limitaa infetar pessoas. Sabemos que também infeta animais, embora não haja evidência do contágio animal / homem exceto na transmissão original do morcego ou do pangolim, mas não foi disso que o meu amigo me falou.

O que ele me disse foi que o impacto social e económico do vírus causava uma perturbação generalizada a que teríamos que responder, sob pena de perecermos como espécie e como sociedade. Era assim uma espécie de vacina social, que em função da forma como for aplicada e da reação que provocar, nos poderá salvar ou condenar.

Toda a sociedade, já debilitada pela poluição, pelas desigualdades, pelas alterações climáticas e por outras maleitas do desregramento foi abanada. Foi ela e foi cada um dos que dela fazem parte.  Vamos ser obrigados a reagir, a adaptar, a mudar, criando os resistências necessários para erradicarmos o vírus não apenas dos nossos corpos, como também das nossas vidas.

Ao contrário da vacina médica, a vacina social já existe. Não faltam manifestos, livros, manuais e programas para erradicar a pobreza, reduzir as emissões, melhorar as qualificações, promover a economia circular, usar as tecnologias digitais para gerir com mais racionalidade os recursos, fomentar a transparência, combater a corrupção, diminuir as desigualdades, proteger a biodiversidade e tornar o mundo melhor. Não tem é havido condições de mercado cívico e político para a aplicar.

Sou naturalmente otimista, mas sou cético em relação ao automatismo com que muitos encaram a pandemia como a chave mágica com que se abrirá a regeneração da humanidade.  Tudo dependerá dos anticorpos sociais que se criarem contra as fragilidades da sociedade em que vivemos. Tudo dependerá em síntese,de cada um de nós, das nossas instituições, das escolhas que fazemos e da forma como nos reorganizamos. 

Se ficarmos mais fortes e lúcidos, então teremos ficado vacinados. Pelo menos no plano social e económico. No plano médico esperemos que isso também possa acontecer quanto antes. Até amanhã, com muita saúde.       

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