Os Vampiros




 

A União Europeia recebeu com o referendo escocês em que a proposta secessionista assustou e teve uma votação significativa, mais um sério aviso da insustentabilidade do caminho que está a percorrer. Nos últimos meses os avisos têm sido sucessivos, mas as respostas têm sido pífias.

 

O programa de ação de Juncker deixou esperanças de mudança mas a atribuição das pastas aos diferentes comissários e sobretudo a incerteza sobre a estrutura de funcionamento têm lançado algumas nuvens negras sobre o futuro. Ainda anda muita poeira no ar e é cedo para antevê que instituições teremos quando ela assentar.  

 

A Comissão Europeia continua em funções com os comissários cessantes, ao mesmo tempo que se desenvolvem os procedimentos para avaliar a nova equipa.

 Com a discussão centrada nos nomes e nas pastas, tem escapado a muita gente a principal alteração da proposta de Juncker. Não é uma alteração de nomes, mas uma alteração de estrutura com a criação de Vice- Presidentes que tutelam agregados de Comissários.


Numa interpretação flexível dos tratados (só a interpretação flexível do Tratado orçamental parece ser pecado) a Comissão Juncker tem a estrutura típica de um Governo, com um Primeiro-ministro, Seis ministros e 21 Secretários de Estado.


Perante o bloqueio das instituições, foi derrubado o castelo para construir uma solução mais aberta e transversal. A questão é nem todos os demolidores têm as mesmas ideias sobre a transversalidade da reconstrução e é precisa uma atenção redobrada às zonas de ninguém, porque como todos sabemos a política tem horror ao vazio.

Mais dia, menos dia, os grandes países vão reivindicar os Ministérios e alguns Secretários de Estado tenderão a furar já neste colégio as barreiras e a aceder diretamente ao topo, como será o caso óbvio dos Comissários Francês e Alemão.

Estejamos pois atentos à Poeira. Juncker, Renzi, Draghi ou Frederica Moguerini acendem luzes de esperança sobre o futuro da Europa. Mas os vampiros da austeridade ainda estão bem vivos. Só aguardam uma fraqueza. Não lha podemos conceder.

 

 

 
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