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Inenarrável



Com a força e a determinação que é seu timbre, José Sócrates aproveitou a entrevista que deu à RTP para fazer uma defesa assertiva da narrativa que inspirou o seu governo. Em simultâneo desmontou meticulosamente aquilo a que chamou o embuste narrativo construído pela coligação de direita com o objectivo claro de atribuir a esse período e à sua herança a natureza dos actuais fracassos da governação.

 

Quando se analisa retrospectivamente o período político que mediou entre 2005/2011 temos no país e entre os analistas um confronto de narrativas. A clareza estratégica, o foco, a persistência com que foram aplicadas as políticas dividiram o país entre os que consideram que elas apontavam um caminho certo, interrompido por circunstâncias excepcionais e aqueles que lhe atribuem a raiz de todos os males por que estamos a passar.  

 

Tendo participado com elevado empenho e orgulho no esforço do governo de então para colocar Portugal num novo patamar de modernidade, é óbvio que considero que a narrativa da direita sobre esse período é medíocre, preconceituosa e frágil. Claro que se cometeram erros e que em determinados momentos terá havido um voluntarismo excessivo. Mas só não erra quem não faz. O maior erro é não sair do mesmo sítio com medo de errar.

 

O mais preocupante no entanto é o facto de em relação a 2011/2013 não existir narrativa possível, boa ou má. A governação de Passos, Gaspar e Portas tem sido verdadeiramente inenarrável, sem coerência estratégica, autonomia tática ou foco operacional. Sobre ela não poderá hoje ou no futuro haver polémica.

 

Chegados ao poder impreparados, os novos governantes subjugaram-se à receita da austeridade regeneradora, viram progredir em mancha de óleo uma espiral recessiva, mataram a esperança, suspenderam os programas de convergência económica com a União Europeia no âmbito da Estratégia Europa 2020, rasgaram o tecido social, abriram as feridas do desemprego, apagaram tudo o que vinha do passado mesmo com resultados positivos como as novas oportunidades, o plano tecnológico a estratégia de energia ou a agenda digital, criaram em suma um buraco negro por onde se esvaíram muitas das forças e das competências do Pais.

 

Ora um buraco negro é por natureza inenarrável. Quando um dia mais tarde o actual Primeiro-ministro quiser defender a sua narrativa terá bem maior dificuldade do que o teve o anterior na entrevista da RTP.       

 

 

 

 

 

 

 

 

 
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