2011 - o nosso ano (no Alentejo)

Raramente foi tão difícil escrever sobre o novo ano como é nesta transição entre 2010 e 2011. Os que lêem nos astros estão cheios de certezas e os racionalistas puros e duros também. Os primeiros vêm oportunidades em todas as constelações e os segundos vêm perigos em todas as projecções. Eu acredito que 2011 é simplesmente o nosso ano, ou seja, aquele ano em que cada um de nós vai fazer mais a diferença.

Se esta ideia é válida em qualquer contexto, mais se aplica ao nosso Alentejo em que a carência de gente faz com que quem pode fazer acontecer tenha uma responsabilidade acrescida.

2011 tem vários nós de cujo sucesso na forma como forem desatados dependerá muito do nosso futuro a médio e longo prazo. Desde logo é o ano da afirmação da região como pólo tecnológico em duas áreas chave – a aeronáutica e a energia. É também o ano da consolidação de Sines como grande plataforma logística intercontinental e da retoma dos investimentos turísticos estruturantes que darão uma nova face à nossa região.

Mais dependente da nossa força e coesão na defesa dos interesses nacionais, 2011 terá que ser também o ano em que o projecto do Comboio de Alta Velocidade se tornará irreversível e em que a Plataforma Aeroportuária de Beja, articulada com o Parque Aeronáutico de Évora, Sines, o Alqueva e os novos empreendimentos turísticos, ganhará uma nova força e um novo potencial no desenvolvimento regional.

Noutras áreas 2011 será sucesso se confirmar as dinâmicas já em curso, designadamente na valorização conseguida nos últimos anos das fileiras agro-pecuárias de elevada qualidade, com valor o valor acrescentado duma terra de carácter, plasmado nos vinhos, no azeite, nas carnes de origem, nos enchidos ou nos queijos regionais, para apenas dar os exemplos mais emblemáticos.

Mas num cenário de globalização não se pode pensar o futuro duma região dissociado do futuro mais abrangente do Planeta, do Continente e do País em que se insere.

Deixando para outra oportunidade a análise mais global, não posso deixar de sublinhar uma evidência política. O Alentejo tem uma relação de forte cumplicidade com o PS e com os seus governos nas dinâmicas de desenvolvimento. Para o PCP o Alentejo é uma fonte de capital de protesto e para o PSD uma inexistência política. O PS tem feito do desenvolvimento social e económico da nossa região uma bandeira de afirmação da sua matriz política e ideológica. Por isso a estabilidade política em 2011 é algo que favorece e valoriza o nosso futuro comum. E também nisto, chamados ou não às urnas, será a nossa vontade a prevalecer. 2011 é o nosso ano. Feliz 2011.
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