Cavalo de Troia (O Tratado UE - EUA e a Refundação da UE)




 

O Grupo Socialista no Parlamento Europeu (PE), impulsionado por Vital Moreira, Presidente da Comissão de Comércio Internacional do PE, organizou em Lisboa um interessante Seminário sobre o Tratado Comercial que está a ser ultimado entre a União Europeia e os Estados Unidos.

 

Tive a oportunidade de participar no encerramento desse Seminário e assistir a uma parte dos seus trabalhos. Muito se falou e bem da necessidade de harmonização das pautas tarifárias, dos regulamentos e das condições de mobilidade para tornar efectivo o Acordo, cujo potencial é enorme e junta espaços económicos onde se cria mais de metade da riqueza mundial.

 

Sendo toda essa perspectiva verdadeira e crucial afirmei no encerramento e reafirmo aqui que não acredito no sucesso do Tratado Transatlântico se a ele não corresponder ao mesmo tempo uma sincronização entre as estratégias económicas dos dois lados.    

 

Importa referir que um Tratado comercial com os Estados Unidos interessa à Europa mas interessa ainda mais a Portugal para reforçar e eixo atlântico do nosso posicionamento no mundo, complementar do eixo europeu, do eixo linguístico e de outros eixos próprios de um país multipolar e multicultural.

 

Mas interessa à Europa sobretudo para ajudar a definir a matriz das regras da globalização económica. Terão essas regras como referencial a dignidade das pessoas e a justiça social? Se não tiverem a ideia de Europa como a pensaram os Pais fundadores da União Europeia está condenada ao fracasso.

 

Por isso o sucesso deste tratado implica uma inversão das prioridades europeias e uma aposta na Europa da inovação e das pessoas em detrimento da Europa dos banqueiros e dos números.

 

É conhecida a metáfora sobre a especialização do mundo. Os EUA serão o banco, o Brasil a quinta, a Índia o escritório e a China a fábrica restando à Europa ser o museu. Convenhamos que é possível fazer um acordo comercial entre um banco e um museu! Não será no entanto um acordo de iguais. Por isso a UE tem que assumir depressa o seu papel de laboratório da nova economia inteligente, verde e sustentável.

 

 Que a necessidade deste acordo possa ser um Cavalo de Tróia para a refundação do projeto europeu. Não seria a primeira vez que os EUA nos impulsionavam à refundação.

 

 

 

 

 
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