Quanto Vale um Voto?



Em 5 de Junho de 2011, 5 milhões e meio de portugueses exprimiram o seu voto nas eleições legislativas. Para que serviu cada um dos votos que os portugueses expressaram nessas eleições? Numa crónica como esta não posso abarcar todo o universo eleitoral. Assim, refletirei com base no que melhor conheço e no que me incumbe cuidar, ou seja, com base nos votos do PS.



Nessas eleições o PS recebeu cerca de um milhão e meio de votos, correspondentes a pouco mais de 28% dos votos expressos nas eleições legislativas. Esses votos elegeram 74 deputados de um total de 230. Para que serviram esses votos? Obviamente, dado o quadro em que se disputaram as eleições e os seus resultados, foram votos destinados a representar a oposição às políticas sufragadas maioritariamente e a servir de base à construção de uma alternativa.



Ao longo dos mais de dois anos que já decorreram desde essa eleição, os votos recebidos pelo PS têm servido para tentar travar muitas políticas de asfixia económica e empobrecimento social (sem grande sucesso dada a dimensão da maioria) e para dar voz a outro caminho.



Os ganhos conseguidos para as políticas sufragadas pelos votantes no programa do PS, não sendo muito espectaculares, tiveram no entanto um importante significado. Portugal aprovou o Tratado Orçamental e, em simultâneo, aprovou uma adenda para o crescimento e o emprego.



Ao longo do tempo algumas medidas de apoio ao crescimento e ao emprego foram passando no crivo apertado da maioria, embora muitas delas tenham depois repousado nas gavetas da inépcia. A partir do momento em que o Governo decidiu não infletir na caminhada para além da Troika os Orçamentos de Estado (OE) anuais e os rectificativos passaram a ter o voto negativo do PS.



Os Deputados do PS suscitaram a inconstitucionalidade de normas do OE 2013, que tiveram provimento, e permitiram a devolução dos subsídios de Natal e de Férias aos reformados e pensionistas.



Quem votou PS em 2011 pode fazer um balanço do uso concreto do seu voto para defender o programa em que apostaram e fazer oposição à coligação de direita liberal que obteve a maioria para governar. Penso, embora seja um observador suspeito, que esse balanço é francamente positivo. A progressão clara do PS em todos os estudos de opinião valida esta minha perceção empírica.



Escrevo esta crónica em pleno processo de diálogo interpartidário sobre o futuro do País. Não posso incluir na minha apreciação dados desses processos, que além do mais estão em pleno desenvolvimento, mas posso e devo partilhar uma pergunta.



Não deve um Partido depositário de votos com eleição de deputados bater-se em todos os tabuleiros para minimizar as políticas de que discorda e que penalizam não apenas o seu eleitorado como também o País? Quanto vale um voto? Depende do uso que quem o recebeu faz dele. Quem usa os votos como um capital de protesto até às eleições seguintes, tem toda a legitimidade para o fazer, mas reduz muito a força transformadora desse voto. Os votos são do povo e devem ser usados ao seu serviço.

Comentários
Ver artigos anteriores...