Crescimento

Portugal tem aumentado nos últimos anos de forma significativa a qualidade do seu capital social e as competências necessárias para tornar a sua economia mais inovadora e competitiva.

O Ranking Europeu de Inovação cujos dados de 2009 foram divulgados pela Comissão Europeia em 17 de Março, confirma que nos últimos quatro anos Portugal subiu 6 lugares naquele ranking e foi o sétimo País da União Europeia com melhor desempenho relativo. No último ano Portugal ultrapassou a Noruega e Espanha e integrou o grupo dos líderes de crescimento em termos de indicadores de inovação.

Estes dados são estimulantes e desafiantes, mas colocam uma questão chave. Como transformar este crescimento real do capital de inovação em crescimento potencial da economia e em aumento do PIB e da criação de emprego.

O caminho parece claro e é o que tem estado a ser percorrido com persistência pelo governo e pelos actores mais dinâmicos da nossa sociedade, não obstante a vozearia descrente que tudo faz para baixar expectativas e quebrar o ânimo.

Em tempos de grande competição no quadro duma crise brutal, cada País tem que fazer dos seus recursos endógenos a alavanca natural para resistir e vencer. Em Portugal esses recursos agrupam-se em três áreas base – a floresta, o turismo e a energia.

A partir deste triângulo base desenvolvem-se clusters em que o País adquiriu vantagens competitivas que pode potenciar através do reforço das redes de internacionalização, como os serviços tecnológicos, as tecnologias de informação, a construção sustentável, a saúde, a energia, as indústrias criativas, o habitat, a mobilidade, o agro-alimentar, as máquinas e ferramentas ou a moda, numa exemplificação não exaustiva.

É fácil verificar como cada um dos clusters referidos pode ser potenciado em rede e ligado a um dos pilares de suporte identificados como recursos endógenos centrais, ou seja, à atractividade turística do território, á sua floresta e ao seu potencial gerador de energias limpas.

A estes recursos devemos juntar dimensões contextuais como a centralidade geoestratégica, geopolítica e geoeconómica do nosso território. Devemos ainda acrescer um quarto recurso endógeno de elevado potencial, embora ainda menos integrado no processo económico, traduzido no mar imenso que detemos como Zona Económica Exclusiva.

Este enunciado de possibilidades tem a vantagem de ser ao mesmo tempo um “roadmap” do que se está já a fazer. Um “roadmap” a que todos devemos dar impulso e visibilidade, em vez de nos refugiarmos em discursos catastrofistas e desculpabilizantes sobre as dificuldades que efectivamente enfrentamos, mas em relação às quais a única atitude válida é a resposta determinada e a consolidação de soluções vencedoras.

A Estratégia Nacional para a Energia 2020 e o Plano Novas Energias lançados com ambição global e com uma assinatura internacional (RE.NEW.ABLE) são exemplos daquilo que multiplicado pelos outros sectores identificados, nos vai permitir responder aos desafios do presente com solidez financeira e pujança económica.
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