Alentejo Tecnológico?

No quadro da mostra Portugal Tecnológico que se vai realizar em Lisboa entre 22 e 26 de Setembro a nossa região apresentará a sua visão e a sua estratégia para se afirmar como uma região atractiva e tecnologicamente liderante no quadro na nova economia emergente.

Acredito que par muitos leitores esta ideia do Alentejo Tecnológico possa gerar dúvida ou confusão. Como se pode ser ao mesmo tempo uma região tecnologicamente líder e afirmar uma identidade forte, fazendo da história e da tradição um forte factor de diferenciação?

A questão chave para resolver esta aparente contradição é a própria evolução do conceito de tecnologia. Durante bastante tempo prevaleceu uma ideia instrumental e mecânica da tecnologia, fruto do seu papel no desenvolvimento da sociedade industrial. Mas em tempos de evolução da sociedade industrial para a sociedade do conhecimento, a tecnologia tem um papel mais alargado ao alicerçar dinâmicas económicas sociais e políticas de nova geração.

Deste ponto de vista, num quadro em que cada vez mais pessoas procuram aquilo a que já aqui designei em crónica anterior por “proximidade global” ou seja por identidade ligada aos territórios e às comunidades e mobilidade real e virtual de ligação ao mundo, o Alentejo não poderá ser uma referência de tradição e preservação cultural e patrimonial se não for ao mesmo tempo um Alentejo Tecnológico.

Disto temos aliás excelentes exemplos em múltiplos sectores. A tecnologia deu novo fôlego á vitivinicultura, à olivicultura, à pecuária e á indústria agro-alimentar de qualidade na nossa região. Permitiu criar novas áreas de regadio e novos modelos de negócio no plano turístico. Gerou empresas líderes no domínio das novas energias. Atraiu grandes empresas internacionais em sectores de ponta como a aeronáutica.

O Alentejo tecnológico é antes de mais o Alentejo das pessoas e dos novos projectos que com eles for possível fazer. Independentemente das novas redes que nos aproximam à velocidade da luz, o desenvolvimento sustentável estará sempre onde estiverem as pessoas e esse é o grande desafio que se coloca ao nosso futuro comum. As coisas têm que acontecer a partir do Alentejo para o mundo e em interacção com ele. Não basta sermos cenário de conteúdos virtuais e bonitas imagens com figurantes a preceito.

Alentejo Tecnológico? Recordam-se que fomos a primeira região digital e que o Alentejo Digital abriu caminhos e horizontes embora sem ganhar internamente o músculo que todos desejávamos? Pois a corrida vai recomeçar. É preciso aprender com o que correu menos bem no passado e não deixar de agarrar a oportunidade agora.
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