Grátis (como ajudar o País a sair da crise)

Tive no passado dia 27 de Maio a possibilidade de encerrar uma conferência cuja estrela principal foi Chris Anderson, autor de dois Best Sellers recentes, designadamente do livro “A Cauda Longa” editado em português em 2007 pela Actual Editora e “Free – o futuro é grátis” editado pela mesma editora em final de 2009.

São dois livros complementares e que propõem uma nova perspectiva sobre a forma como se cria valor na sociedade actual, mostrando que uma economia focada no grátis e na massificação, pode criar contextos mais favoráveis para a mudança de comportamentos de consumo e como tal para os resultados obtidos por quem massifica e oferece novas soluções ou produtos.

Nas minhas palavras de encerramento procurei mostrar como esta perspectiva se pode aplicar com interesse á actual situação económica nacional e como é grátis a solução para a sua mudança, desde que cada um de nós esteja disposto a dar o seu contributo pessoal gratuito.

Portugal apostou com o Plano Tecnológico no desenvolvimento do seu repositório de conhecimento, tecnologia e capacidade inovadora e atingiu resultados excelentes de progresso relativo, aproximando-se fortemente da média europeia no índice compósito.

Esta evolução é uma boa notícia, mas ao mesmo tempo coloca o País perante um outro patamar de desafio e de exigência. Sem conhecimento não se cria valor, mas o que cria valor não é o conhecimento mas aquilo que se faz com ele. Da mesma forma sem tecnologia é mais difícil criar valor, mas o que faz a diferença não é a tecnologia mas os processos e práticas que com ela se mudam. Finalmente sem inovação é difícil competir pelo valor, mas hoje em dia já não basta inovar, sendo necessário ser inovador na forma como se inova.

Em síntese, tendo capital social e humano, o que faz a diferença é a forma como as pessoas estão dispostas a usá-los, a confiança que partilham, os valores que assumem e sobretudo a atitude com que enfrentam as situações e as transformam em oportunidades.

A minha tese é simples. O deficit crítico de Portugal e do qual todos os outros dependem é um deficit de confiança e de atitude. Ora a atitude é grátis. É grátis mudar o País e o seu futuro. É grátis, mas como no “Free” de Anderson é um grátis com condição! Não pode ser oferecido. Tem que ser aceite por cada um e fruído em função da sua vontade.

Terminei a minha intervenção com uma exortação que aqui repito. Mudar de atitude é a forma mais barata que existe de contribuir para enfrentar as dificuldades económicas actuais, pondo a vontade ao serviço da solução e usando todas as tecnologias disponíveis para a concretizar. Experimentem. É grátis.
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