SIMPLEX S.O.S

Portugal é uma democracia jovem, mas consolidada, um País aberto, tolerante, diverso e com uma forte identidade histórica e cultural. É também um Estado social, dotado de estruturas que garantem de forma direta ou indireta as funções básicas da educação, da saúde, da justiça, da segurança, da regulação e da dinamização económica e da proteção social.

Face ao impacto brutal e inesperado da crise pandémica, essas estruturas de resposta, muitas delas fragilizadas pelas governações neoliberais do início da década, pelo envelhecimento e escassez de recursos humanos e pelo subfinanciamento crónico, foram sujeitas a uma pressão inesperada e responderam com grande resiliência, empenho e capacidade adaptativa.

Os serviços públicos centrais, intermédios e de proximidade foram o recurso natural e imediato das pessoas, das famílias, das instituições e das empresas que perante o Tsunami procuraram e continuam a procurar manter-se à tona, protegendo a saúde, salvaguardando empresas e empregos, garantindo prestações essenciais para a sociedade e tentando assegurar padrões dignos de vida.    

As administrações reinventaram-se, não apenas no desenho de instrumentos de resposta às várias necessidades, como na adaptação que elas próprias tiveram que fazer às normas sanitárias, com muitos milhares de agentes públicos a terem que exercer as suas funções em teletrabalho para garantir o seu confinamento e responder às necessidades dos utentes também eles confinados.

A administração pública portuguesa fez uma prova de vida que deve ser saudada. Os processos e solicitações com que foi confrontada nalguns domínios, fruto da rápida e determinada resposta do Governo e das Autarquias lançando programas e medidas de apoio, multiplicaram-se exponencialmente. As estruturas resistiram e responderam com competência, embora nalguns setores com atrasos que sendo curtos em tempos normais, pareceram agora uma eternidade para os beneficiários em aflição.

A primeira vaga de transformação das administrações foi marcada pela informatização ainda mais rápida dos procedimentos, para permitir ligar utentes e serviços sem necessidade de contacto físico.  Na pandemia todos desejamos que não existam segundas vagas, mas a administração pública não pode perder a embalagem para uma segunda vaga de transformação que reduza drasticamente a burocracia, que parece resistir a todos os choques. Tudo é S.O.S nestes tempos. O Simplex, ou seja, o choque de descomplicação nos serviços públicos também tem que ser e já.   
   
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