A Força das Ideias




 

Com as enormes dificuldades com que as pessoas vão vivendo o seu quotidiano, interrogo-me muitas vezes se ainda encontram espaço e disponibilidade mental para o debate filosófico, para o desenho da utopia, para a tentativa de compreender o mundo em toda a sua complexidade como forma estrutural de se capacitarem para o transformar.

 

Nas últimas semanas tive a evidência de que essa disponibilidade existe e talvez esteja, exatamente por causa da crise e da apatia aparente, mais forte que nunca. Basta atear a conversa e descobre-se que aquilo que parecia soterrado pelo dia a dia se reergue com pujança.

 

Foi o que aconteceu no quadro dos Diálogos com a Europa e o Futuro que fui animando um pouco por todo o Continente e pelas Ilhas, ora no quadro das ZTalks – Tertúlias Multimédia e Multitemáticas, ora no quadro do convite que recebi para fazer duas palestras nos 22º Encontros Filosóficos dos Açores, ora no contexto do Ciclo de Conferências e Debates promovido pela Comissão Política Concelhia de Évora do PS.

 

Há muito a melhorar na organização da sociedade e é crescente a exigência cívica para que as políticas públicas aos mais diversos níveis sejam transparentes, competentes e respeitadoras dos valores e dos mandatos recebidos.

 

 Os cidadãos, mais do que promessas, querem poder confiar em quem elegem e encontrar nos desempenhos políticos uma linguagem de verdade e de credibilidade.

 

 Esta exigência tem um reverso que a torna ainda mais positiva. Gera um enorme desafio de despertar de consciências. Quem exige mais dos outros também tem que exigir mais de si próprio. A democracia é representação e depende tanto da qualidade dos representantes quanto do empenho e da vontade dos representados.

 

Recordo aqui a velha bengala argumentativa da mudança de paradigma. Ela é mais necessária do que nunca.

 

 Mas o que é isso da mudança de paradigma? É uma mudança consistente da forma de pensar que induz uma mudança estrutural na forma de fazer. É por isso que as ideias são a força motriz. O princípio e o fim. A raiz da esperança.

 

Gostei de ser por estes dias um semeador de ideias e sobretudo de sentir a terra fresca e fecunda. A força das ideias é a nossa força.

 
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