Lusitano Apagão



 

Entre o Céu e a Terra há uma Nação chamada Portugal várias vezes consagrada a Maria e agora sob tutela estranha e ao que parece também nela inspirada, se fizermos uma interpretação literal das palavras do seu mais alto magistrado.

 

Num tempo em que Clemente, o novo Cardeal Patriarca, conhecido pela sua abertura de espírito e capacidade de diálogo, se ocupa da diocese de Lisboa e dela se ausenta Policarpo, outro grande vulto da igreja portuguesa e universal, devemos no entanto ter uma interpretação mais terrena daquilo que nos está a acontecer.

 

Deixemos ao espírito o que é do espírito, porque não falta a quem nos governa inspiração. Uma inspiração rasteira e sem elevação é verdade, mas uma inspiração forte e corrosiva.

 

Coloco os pés na terra com um fato comezinho. Por razões ditas de economia Portugal não participou no Festival da Eurovisão. Não dei por nenhum outro País da grande Europa ter descido tão baixo.

 

Muitos dirão que o Festival da Eurovisão já não é o que era. Que se tornou num espetáculo vulgar e com votações cruzadas.

 

 Talvez seja verdade, mas ao ver a transmissão reparei que todos os Países, desde o pequeno ducado de S. Marino até às grandes potências regionais como a Alemanha, a Rússia, a França a Itália, a Espanha ou o Reino Unido lá estavam. Os intervencionados Irlanda, Chipre e Grécia também. A Europa multicultural surgiu com todo o seu fulgor, embora decepada do pilar lusitano.

 

Pensei na nossa diáspora. Como se sentiram por essa Europa fora quando perceberam que Portugal não participou num concurso internacional de canções por falta de verba? O que disseram aos filhos e que esses disseram aos colegas?

 

Pensei nas nossas exportações. O que é que alguém não especialista e que vê um bom vinho português a um preço compatível vai pensar? Isto é feito num País que não tem dinheiro nem para mandar cantar uma banda no festival da Eurovisão! Porque pagarei 15 ou 20 Euros por um produto nele produzido?    

 

Pensei na Lusofonia? Tanta conversa e nem a língua nos merece o esforço de mandar uma Canção a um dos espetáculos mais vistos em toda a Europa e em todo o mundo. Que orgulho do Português sentirão aqueles que sendo dele falantes, verificaram que por umas dezenas de milhares de Euros não se canta em Português no Festival da Eurovisão?

 

Por tudo isto ponho os olhos no Céu em sinal de humildade. Haja luz e equilíbrio em quem nos governa. O miserabilismo, a desistência e o empobrecimento não são coisas do além. São filhas de Homens pequenos, sem ambição, sem visão e sem vergonha.   
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