A Mensagem da Pandemia


Não faço ideia quem nos enviou a mensagem subjacente à pandemia do coronavírus, mas um anjo bom não foi certamente. No entanto essa mensagem, num momento em que estamos ainda muito longe de saber onde o surto e todo o seu impacto sanitário, económico e social nos vai conduzir, começa a emergir de forma mais ou menos clara.

Vivemos num mundo global e sem fronteiras. Só com cooperação e solidariedade podemos fazer face às ameaças colocadas por este novo normal. As comunidades estão a reorganizar-se para conter o vírus. Infelizmente por uma causa insidiosa e catastrófica, muita gente passou a trabalhar a partir de casa, a adotar novos comportamentos de precaução e higiene, a reduzir deslocações desnecessárias e a diminuir consumos supérfluos. No caso da China, onde no momento em que escrevo este texto o surto parece começar a ficar sobre controlo, à medida que os indicadores de contaminaçãoacumulada foram subindo, os indicadores de qualidade ambiental melhoraram drasticamente, não porque o vírus seja amigo do ambiente, mas porque forçou a práticas que o são.

Em nenhuma circunstância o sofrimento da humanidade pode ser aceite como uma alavanca para forçar atitudes e comportamentos que permitam preservar o planeta.  O planeta é antes de tudo um local onde as pessoas devem ter a possibilidade de viverem felizes e saudáveis em respeito pela biodiversidade que dá cor, vivacidade, equilíbrio e sustentabilidade ao ecossistema em que se integram.

Desejo profundamente que a colaboração na resposta à crise possa mitigar os seus impactos. É fundamental assegurar que não hajam discriminações no acesso aos testes, aos tratamentos e às compensações por quem tem que interromper a sua atividade profissional em salvaguarda do interesse comum. 

É impossível anular os efeitos tremendos que este surto terá na economia e no tecido social, mas acudir com justiça aos mais necessitados é algo que em Portugal é possível, tal como em muitos países da União Europeia e fora dela cujos governos assumam a mesma sensibilidade social, mas infelizmente é bem mais difícil de assegurar em países pobres ou ricos, mas imersos numa lógica de sociedade de mercado.  

Quando a crise passar, e espero que passe depressa, alguns dos comportamentos que adotámos agora vão-nos parecer racionais e vamos passar a mantê-los no nosso dia a dia, para bem da sustentabilidade do planeta. Acredito que depois deste trauma brutal a humanidade desperdiçará menos recursos e dará mais valor à solidariedade entre os povos. Aprenderemos pelas piores razões.   Temos que aprender a aprender semprecisar de mensagens arrasadoras, venham elas do diabo ou de quem quer que seja.


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