Voltar à Rua

Pouco a pouco vamos regressando à vida com normalidade possível, com regras e procedimentosrigorosos, com natural receio de uma nova onda pandémica, mas também com o orgulho de termos sido enquanto povo e enquanto sociedade capazes responder para já à brutal ameaça do COVID19 com coragem e eficácia

Para manter elevada a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde, sempre muito criticado, mas considerado um dos melhores do mundo pela Organização Mundial de Saúde, contámos com a entrega e a competência inexcedível de todos os seus profissionais.

A pressão brutal que a pandemia colocou sobre todos os setores e áreas de atividade fez disparar o quadro que alimentava o fluir do quotidiano. Perante a emergência, para não desligar doentes das cadeias de resposta sanitária, tiveram que ser desligadas da tomada normal muitas atividades económicas, sociais e culturais, sendo ligadas ao gerador de políticas de apoio postas prática pelo governo, que tem trabalhado no seu limite para manter a sobrevivência e o potencial de retoma das atividades que tiveram que ser suspensas.  

Chegou o tempo de começarmos a religar essas as atividades ao novo normal, com cuidado para que o quadro não dispare de novo, e aproveitando ao máximo a energia que nos resta para recarregarmos a vida económica e social, transformada pelo choque, mas com vitalidade para sobreviver com dignidade.

Quando muitos recuaram para o confinamento, outros avançaram para a linha da frente, prestando os cuidados de saúde, de segurança, de abastecimento e de produção, que só podem ser feitos fora de casa.Agora é o momento de com grande rigor e seguindo todas as recomendações das autoridades de saúde, muitos dos que recuaram, darem um passo em frente e voltarem à rua.

Esse passo que não é fácil psicologicamente, é também um ato de solidariedade para com aqueles para quem a procura dos serviços que prestam é determinante para a sobrevivência do seu emprego, do seu negócio ou do seu projeto de vida

Os que não pertencerem a um grupo de risco e tiverem a possibilidade económica de usufruir do que for reabrindo, deverão fazê-lo por si, pela sua saúde física e psicológica, mas também pela saúde da nossa economia e pela resiliência da nossa sociedade.

Conseguimos manter, ainda que debilitada, grande parte da capacidade de produção e de oferta de serviços. Se a essa oferta não corresponder uma procura sustentada, o sistema desmorona-se. Voltar à rua, com toda a cautela e respeito pelas normas, regulamentos e exceções definidas pelas autoridades, é um desafio de cidadania para o bem de todos  


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