Em Defesa do Cante Alentejano



A identidade alentejana e o carácter único da nossa região são a maior riqueza e o maior capital de que dispomos. Apoiei por isso desde a primeira hora o projecto lançado pelo então Director Regional da Cultura, José António Cabrita Nascimento, para a preparação da candidatura do Cante Alentejano a Património Imaterial da Humanidade.


Depois dum hiato que correspondeu à estranha e surpreendente substituição do Director Regional da Cultura, o entusiasmo renasceu com o sucesso da candidatura vencedora do Fado e pela liderança competente do Professor Rui Vieira Nery na elaboração do dossier de candidatura do Cante Alentejano.


As candidaturas a Património Imaterial da Humanidade são muito exigentes. Podem ser formuladas todos os anos, mas uma vez não aceites, têm que passar por uma travessia no deserto até nova apresentação.


Recentemente Rui Vieira Nery e outros responsáveis alentejanos vieram alertar para a importância de adiar por um ano a candidatura do Cante Alentejano, de forma a dar mais consistência ao projecto e evitar o risco do seu fracasso. Outros responsáveis decidiram seguir em frente e avançar com a candidatura.

Ouvi atentamente os argumentos dos dois lados. Penso que o mais avisado seria não correr riscos desnecessários. A candidatura este ano terá que ser formulada até 31 de Março.


Percebi também que até essa data já não é possível promover as convergências que ainda faltam para a candidatura ser o mais forte possível. Todos ganharíamos por isso se um consenso geral decidisse conjugar esforços para uma candidatura muito forte em Março de 2013. Perderíamos um ano, mas poderíamos ganhar um ou mais lustres!

Claro que se a decisão for avançar agora, vou desejar e tudo fazer para que seja bem sucedida. Mas sabendo do risco que se corre e da imaturidade do dossier neste momento, não ficaria bem com a minha consciência sem este alerta e sem este apelo.

Somos poucos e temos algumas “minas” culturais que não podemos desperdiçar. Se um braço de ferro e uma teimosia nos levar a uma candidatura prematura e ela falhar, não temos desculpa. Por isso deixo este alerta, enquanto é tempo.

O Cante Alentejano vive da alma e da sincronização das vozes e dos sentimentos. Sejamos capazes de nos sintonizarmos para vencer.



































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