Africa Central - Contra a Fatalidade

Entre 17 e 19 de julho participei em Yaoundé, capital dos Camarões, na 16ª assembleia regional para a África Central que reuniu parlamentares de 8 Países situados em torno dos grandes lagos, com o objetivo de procurarem em conjunto e em articulação com o Parlamento Europeu, desenvolver respostas aos enormes desafios de conflitualidade e de desenvolvimento vividos naquela região de África.

Ouvi com atenção os relatos expressivos e sentidos sobre uma realidade que não podemos ignorar. A África Central, com a exceção honrosa de S. Tomé e Príncipe vive tempos de grande escassez, desigualdade e insegurança.

Existem múltiplas razões e justificações para o facto desta região de África ser uma das que tem tido menos sucesso no confronto com os desafios do mundo atual. Um deles, que emergiu muito claro do debate travadoreside no facto das redes ilegais que exploram os recursos e os povos estarem cada vez mais integradas,enquanto as redes institucionais, que os deveriam proteger, estão cada vez mais fragmentadas.   

Este padrão dicotómico identificado contamina e agrava muitos dos problemas que marcam as contradições do mundo atual. A luta entre a globalização e o nacionalismo, entre a democracia participativa e o populismo ou entre a repartição sustentável dos recursos e as desigualdades, são apenas alguns exemplos da dicotomia entre as dinâmicas de integração e convergência e as dinâmicas de fragmentação e divergência.

Em Yaoundé, uma das estratégias propostas para tentar melhorar a situação foi exatamente o reforço da integração económica e monetária entre os países da região. Alertei para a importância de não ser cometido o erro europeu de acreditar que a integração monetária conduziria à convergência e à integração económica e social. Na União Europeia estamos a pagar hoje, com o crescente reforço dospopulismos, esse erro primordial. 

O caminho tem que ser ao contrário, da economia para a moeda, ou pelo menos simultâneo, porque em última análise, no confronto entre soluções políticas,triunfarão aquelas que a maioria dos cidadãos percepcionarem como vantajosas para a sua vida a curto e a médio prazo. 

A integração vencerá a fragmentação mesmo que em nome de escolhas destrutivas para o planeta e para a humanidade. Precisamos de estar à altura de pôr em prática valores globais de governação capazes de atacar as desigualdades, mobilizar as pessoas para práticas sustentáveis e solidárias e recuperar a esperança num futuro partilhado e feliz.

Ser progressista é ser capaz de enfrentar e vencer as fatalidades, por mais difíceis que isso seja.

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