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A Bota e a Perdigota

 


Não há duas sem três se quisermos comunicar com eficácia. Se chegarmos com a mensagem aos cérebros e aos corações abrimos as portas para fazer acontecer. Não há duas sem três se quisermos criar oportunidades de transformação. Precisamos de acrescentar significado e propósito aos dados para que isso seja possível. 

 

Depois de dois textos sobre estes temas, que geraram muita interação e até me abriram as ondas da rádio, encerro por agora este ciclo com um terceiro texto, menos focado na forma e mais do conteúdo das mensagens.

 

Não há duas sem três é um conhecido provérbio, membro de uma família de provérbios e ditos populares que fazem a riqueza da língua portuguesa. A mensagem que lhe está subjacente é a de continuidade, expressando uma convicção, uma programação ou uma intuição.

 

A mensagem é o objeto da comunicação, mas não pode ser dissociada do seu autor, do seu destinatário, do suporte e do objetivo. É o ecossistema em que se insere que lhe dá vida e é a coerência desse ecossistema que lhe dá eficácia.

 

A comunicação acelerada no mundo digital induz a uma normal fragmentação de especializações e as mensagens em comunicação política não escapam a este novo contexto. Em todo o processo, o objeto e mesmo o objetivo da mensagem pode manter-se intocável, mas a forma como é percecionada está em permanente alteração. A forma de comunicação pode ser altamente profissional, mas se adesão à perceção dos factos ou até à perceção sobre o emissor não forem acauteladas, a credibilidade esvai-se.

 

Usemos um exemplo do quotidiano. Vai-se escrevendo e dizendo que o atual Governo tem tido dificuldade em passar a mensagem, não obstante ter um programa de ação robusto, bons protagonistas políticos e bons profissionais de comunicação para apoiar o seu trabalho. É fácil atribuir culpas, aos emissores, aos intermediadores ou até aos órgãos de comunicação social que fazem a seleção e a matriz para a interpretação final. Todos terão parte dos méritos e dos deméritos do que vai sendo passado. Por mim, acho que mais do que bem passadas, as mensagens têm que ser bem partilhadas, consistentes e feitas por medida de cada objeto, mas também de cada comunicador e de cada objetivo. 

 

Para ser credível a mensagem tem que ter o ADN de quem a emite e não de quem a trabalha e difunde. Bater a bota com a perdigota, não resolve tudo mas é um excelente princípio, sobretudo num contexto de grande complexidade e saudável diversidade.      

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