Coisas do Clima




 

Nos últimos anos, com a crise económica e o aumento da pobreza e das desigualdades a ganharem cada vez mais importância na discussão global, o debate sobre as alterações climáticas e o seu impacto na qualidade do ambiente e nas condições de vida no planeta viu-se relegado para um plano secundário, sobretudo após o carater não obrigatório das metas definidas em 2009 em Copenhaga.

 

Um esquecimento que só é quebrado pelas grandes catástrofes que marcam e aterrorizam o quotidiano de uns milhões e o contexto mediático de quase todos, sobretudo quando ocorrem nas zonas mais desenvolvidas do globo.

 

A natureza, no entanto, não perdoa distrações. Em Portugal muitos voltaram a acordar para o problema da subida das águas do mar provocado pelo degelo polar ao verem as praias cada vez mais exíguas, ao mesmo tempo que a invernia destruiu muitas das estruturas de apoio à atividade balnear.

 

A avaliação da importância das políticas de combate ao aquecimento global e de preservação do equilíbrio ambiental é uma das fraturas que atravessa o planeta, separando a Europa mais ambientalmente consciente, doutras regiões em que o tema não é sequer colocado na agenda e nas prioridades.     

 

Mesmo no quadro europeu, pude assistir na passada semana numa reunião do Grupo Politico a que pertenço no Parlamento Europeu (Socialistas e Democratas) à forma diferente como alguns países consideram as questões ambientais uma prioridade da política europeia e outros a consideram um entrave à industrialização desregrada e à competitividade sem restrições.

 

A junção na atual orgânica do governo em Portugal, do ambiente, dos transportes e da energia é uma das poucas marcas positivas do governo em funções. Essa junção tem vindo a permitir recuperar algumas das apostas em que o País chegou a liderar à escala global, como a mobilidade elétrica, as redes inteligentes e as soluções de proximidade no domínio das energias renováveis.

 

É hoje fundamental ligar a inovação limpa e as novas dinâmicas de industrialização, a um modelo de vida saudável e sustentável. Não o fazer será uma distração que pode ser fatal. E muitos não ficarão cá para poder refletir sobre o que aconteceu.

 

Quanto menos seguro for o desenvolvimento menos preservada ficará a costa. Vale a pena refletir nesta ideia simples, mas que tem a força do que é inelutável.      
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