O Mágico


 

Na sequência da apresentação por Paulo Portas e pela sua “Partenaire” ministerial Maria Luísa Albuquerque das conclusões da oitava e da nona avaliação da troika ao Programa de Ajustamento Económico e Financeiro Português (PAEF), o consagrado jornalista económico António Peres Metello comparou com grande lucidez o novel Vice Primeiro-Ministro a um mágico.

 

Disse Metello numa dos canais televisivos de informação, que Portas nos fazia olhar a todos para a mão esquerda enquanto rapava o que podia com a mão direita. A citação é de memória. Foi assim que a retive.

 

Não sei com que mão Portas decidiu rapar as pensões de viuvez mas considero essa rapadela, uma das mais graves da nossa democracia. Uma rapadela que é particularmente grave quando perpetrada por um líder que se diz defensor dos pensionistas e dos reformados e que se gaba de ter acabado com o que afinal nunca existiu, ou seja com uma taxa generalizada sobre as reformas.

 

Em vez dessa suposta taxa, Portas apadrinha sem corar, cortes retroativos nas pensões dos funcionários públicos e das viúvas e viúvos deste País.

 

A magia, incluindo a magia política, é algo que este Governo leva muito a sério. Por isso talvez o numero ainda seja um pouco mais completo do que a leitura imediata de Metello.

 

As câmaras de TV só nos mostraram as mãos de Portas enquanto falava. Nós olhámos para a mão das promessas enquanto a mão da tesoura se disfarçava, mas tenho razões para desconfiar que por baixo da mesa o Ministro mandava caneladas com a maior força que podia ao Tribunal Constitucional.

 

Infelizmente o Governo falhou e já só procura um álibi a quem acusar do falhanço.

 

Tenta tudo por tudo para acusar o PS mas as propostas construtivas feitas por este Partido na mesa de diálogo de Julho e recusadas pelo PSD e pelo PP/CDS tornam inverosímil que seja o PS o potencial culpado, como o demonstrou o recente resultado eleitoral.

 

 Sendo assim resta ao Governo atirar toda a sua artilharia contra o Tribunal Constitucional para depois dizer que tudo teria corrido bem não fosse o caso dos juízes, pasme-se, defenderem o cumprimento das normas da nossa Lei suprema. Cumprirem afinal a missão para que foram eleitos ou designados.

 

 O Mago já desapareceu irrevogavelmente e voltou a aparecer 3 dias depois. Dele e da sua companhia governamental já tudo se pode esperar.

 

 

      

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
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