A prosperidade e os seus inimigos




 

Em economia não há milagres, mas há escolhas e opções. A economia portuguesa é uma pequena economia aberta e muito sensível a fatores externos, como as crises internacionais na procura ou a sobrevalorização da moeda.

 

Só um esforço continuado de especialização, diferenciação e qualificação pode ir esbatendo estas fragilidades. Alguns setores em Portugal como agro – alimentar de qualidade, o calçado, os têxteis técnicos, os moldes, o automóvel, as biotecnologias, as energias limpas, as tecnologias da informação ou a aeronáutica, apenas para dar alguns exemplos, já ultrapassaram a barreira da periferia e competem è escala global.

 

O esforço que o País precisa é de continuar a apostar em tornar cada vez mais competitivos a indústria e os serviços em Portugal, através da criação de boas condições para operarem, de incentivos e de reforço das estruturas de capital, de manutenção de uma procura interna moderada mas estável. Este é o caminho da prosperidade, que não é um caminho fácil mas que é um caminho possível com perseverança e focalização das políticas públicas.

 

Este caminho de prosperidade tem muitos inimigos. Desde logo os especuladores, os promotores de interesses particulares, os que querem comprar os bens públicos ou explorá-los a pataco e os que vivem da desgraça alheia para continuarem a capturar votos e influência política.

 

Sejamos claros. Quer o caminho proposto pela coligação em funções governativas quer o caminho proposto pela Coligação Democrática Unitária (CDU) significam um forte empobrecimento do nosso país e das famílias.

 

 No primeiro caso pela redução dos rendimentos disponíveis, das oportunidades de emprego, dos salários e das reformas. No segundo caso por uma saída da Zona Euro que provocaria uma imediata desvalorização de 30 a 40% do valor real dos ativos e dos salários em Portugal.

 

Na mesma linha da CDU, o Bloco de Esquerda (BE) acena com um referendo que além da sua mais do que duvidosa constitucionalidade, caso conduzisse à rejeição do Euro teria a mesma consequência.

 

Já aqui referi e repito. Em 2011, quando da assinatura do programa de ajustamento, os portugueses não eram ricos. Eram apenas um pouco menos pobres. O caminho do empobrecimento, seja pela vereda da direita ou pela vereda da esquerda não nos conduz a bom porto. É preciso ter coragem e determinação. Estabilizar a economia e lutar pela prosperidade. É esse o sentido da democracia. Foi e tem que continuar a ser esse o sentido de Abril.          
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