Visto de Casa (05/05)

Tenho mantido o meu hábito de fazer, dentro das regras estabelecidas, uma corrida diária. Em média corro cerca de meia hora e aproximadamente meia dúzia de quilómetros. O cronómetro já reportoumelhores resultados, mas a idade não perdoa. 

Aos fins de semana tenho feito umas incursões pela ecopista que circula a cidade, para quebrar a rotina, mas de semana uso um percurso junto a casa, compouco menos de um quilómetro por volta. Já conheço todas as roseiras do caminho e comecei a levar recados de umas para as outras. Assim a corrida custa menos e cheira melhor. 

A apresentação pela Comissão Europeia de um novoQuadro de Financiamento Plurianual 2021/2027,previsto para amanhã, foi adiado. Este adiamento não é necessariamente uma má noticia. A proposta anterior foi apresentada em 2 de maio de 2018 e não mereceu nem o apoio do Parlamento Europeu nem do Conselho e estava já há mais de 2 anos a marinar num improfícuo bate – bola ente instituições e governos.

A referida proposta baseava-se num financiamento global de 1,12% do Produto Interno Bruto de cada Estado – membro, enquanto os forretas do Conselho se aferrolharam no 1% e o Parlamento aprovou por clara maioria uma proposta com base em 1,3%. Nada disso agora já faz sentido, porque o desafio é diferente.

A nova proposta tem que ser mais ambiciosa, incluindo um Quadro de Financiamento com recursos próprios, transferências nacionais, novas prioridades adaptadas às circunstâncias e um plano de recuperação coordenada e solidária a aplicar nos primeiros 3 anos de vigência. 

A União Europeia precisa de uma proposta robusta e que tenha condições para ser aprovada e posta em prática rapidamente. Um atraso de uma, duas, três oumesmo quatro semanas, se for para melhorar o processo de gestação e conseguir os consensos necessários para uma aprovação rápida, permitirá ganhar muito tempo na efetiva aplicação das medidas. Um passo atrás neste momento seria um desastre. Um passo atrás para dar dois em frente é uma atitude aceitável e de bom senso.

É claro que o acordo generalizado sobre a necessidade de rever as prioridades face ao impacto económico e social do COVID19 se desfaz de imediato quando se passa ao debate sobre que prioridades, que medidas, que recursos para cada País, para cada região, para cada setor. É a democracia a funcionar. Desta vez tem que funcionar depressa e bem.  

Pela minha parte farei tudo para que isso aconteça. Represento um País e um povo e fui eleito em nome de uma visão de Europa que coopera para assegurar a paz, a liberdade e o desenvolvimento sustentável. De roseira em roseira, serei parte da solução. Até amanhã, com muita saúde para todos.

Comentários
Ver artigos anteriores...