Tsunami

A pandemia provocou um tremendo abanão na nossa sociedade. Se fosse um terramoto teria rebentado com a escala de Richter com que se mede a magnitude dos sismos.  Estamos agora afanosamente por entre os escombros a procurar salvar vidas, empregos, empresas e instituições fundamentais para vencermos a ameaça e voltarmos a uma normalidade diferente.  

O silencio que ecoa nas ruas, entrecortado pelo cantar dos pássaros que há tanto tempo não conseguíamosescutar da forma tão fresca e límpida como agora escutamos, anuncia a chegada de um tempo novo, com mais qualidade ambiental, mas também é o indício da chegada de um poderoso tsunami económico, que vai exigir um grande esforço coletivo para que não setornar também num tsunami social.

O Estado de Emergência sem suspensão da democracia em que temos vivido tem permitido agilizar respostas económicas e sociais e consciencializar as populações para a gravidade do momento. Tem sido também um estado de alerta e preparação para a onda gigante de transformação social que se seguirá à onda gigante da pandemia.

Quando escrevo este texto, os sinais apontam para um alívio da pressão pandémica. Esse alívio permitiráabrir cautelosa e progressivamente a economia e a sociedade. economia e a sociedade que tínhamos quando deixámos a rua para os heróis que nos ajudaram a controlar e mitigar os danos desapareceu. Será uma economia e uma sociedade debilitada e transformada que vamos encontrar.  

Temos que ser exigentes com quem nos representa e connosco mesmos. Fomos capazes de nos adaptar, em muitos casos com grande sofrimento, a circunstâncias muito difíceis. Essa adaptação vai ter que continuar, com novas rotinas, novas competências e novas práticas.

É para esse desafio de adaptação generalizada que vãoservir os programas e planos de recuperação que pouco a pouco vão nascendo numa União Europeia a acordar para a cooperação e para a solidariedade, em linha com as medidas que o Governo português pôs em prática sem hesitações.

Programas para garantir uma vida digna a todos, para proteger e ajudar a recuperar o tecido económico e social e para apostar em criar valor e riqueza a partir do muito que descobrimos e soubemos valorizar, para fazer face aos desafios e às ameaças que estamos a enfrentar. 

Não seguiremos em linha. Vamos afundar um pouco e atravessar forte turbulência, mas com resiliência e determinação, esta lomba funda, como se fosse uma cama elástica, servirá para ganhar balanço e para ressurgirmos ainda mais fortes.    

Comentários
Ver artigos anteriores...