Pelo Alentejo, todos!

Os oito deputados eleitos nas listas do PS para a Assembleia da República em representação do território Alentejano, designadamente Luís Testa e Ricardo Pinheiro por Portalegre, Capoulas Santos e Norberto Patinho por Évora, Pedro do Carmo e Telma Guerreiro pelo Baixo Alentejo e Clarisse Campos e Sofia Araújo pelo Alentejo Litoral decidiram estabelecer um mecanismo de cooperação regular no seio do Grupo Parlamentar do PS.
Com esta iniciativa que aplaudo com entusiasmo, os parlamentares socialistas alentejanos aumentam a capacidade de defender no âmbito do Grupo Parlamentar e no âmbito da Assembleia da República os interesses da Região e dos seus territórios, dando assim uma resposta construtiva e inteligente à reconhecida sub-representação do Alentejo no atual sistema eleitoral e à fragmentação sub-regional que tem agravado esta distorção de raiz demográfica ao longo dos anos.
Trabalhar em conjunto e ter uma estratégia integrada em nada diminui a diversidade e as características e prioridades especificas de cada círculo eleitoral. Pelo contrário, reforça o peso das prioridades conjuntas e permite dar esse mesmo peso a prioridades próprias de cada um dos Alentejos (Norte, Central, Baixo e Litoral) que constituem a Região.
A diversidade é uma das grandes mais valias do Alentejo. Quando no final do século passado tive a honra de presidir ao Conselho de Gestão do Programa Integrado de Desenvolvimento do Alentejo (Proalentejo), uma experiência não continuada de regionalização desconcentrada que ainda hoje responde por muitas das marcas positivas de afirmação económica e social da Região, assumi sempre que a força do território emergia não da submissão de umas partes às prioridades de outras, mas antes do aproveitamento das vantagens comparativas e dos recursos de cada uma delas, potenciados por uma articulação estratégica que aumenta a capacidade política, a atratividade económica e a massa crítica social.
Foi assim que projetos estruturantes nasceram de forma disseminada, mas explorando as sinergias entre eles e incentivando a cooperação estratégica entre centros de conhecimento, estruturas de serviços e associações organizações da sociedade civil. Em 1999, na sequência do resultado do referendo ao processo de regionalização administrativa, a experiência foi interrompida, mas deixou boas sementes. Esta iniciativa dos deputados socialistas do Alentejo  é um bom sinal disso mesmo.

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