Assinar por Cima



As redes sociais entraram definitivamente na campanha eleitoral em Portugal, num sinal previsível de modernidade e adaptação aos novos tempos.

O potencial das redes sociais como indutoras duma nova política, com maior participação e envolvimento dos cidadãos é enorme, como grande é também o risco do seu uso inadequado, como armas de arremesso da velha política, ou simples disfarce tecnológico dos velhos métodos e das velhas práticas.

Os actos eleitorais que vão decorrer este ano em Portugal serão um importante laboratório para aprendizagem e desenvolvimento das novas ferramentas de envolvimento e partilha. Importa que todos os que acreditam nesse novo caminho de renovação estejam atentos e sejam capazes de separar o trigo do joio sem preconceitos.

Com uma atitude construtiva e de júbilo por todas as incursões modernizadoras, não posso deixar de sublinhar a profunda contradição entre uma campanha que se quer assumir de modernidade e com sinais interessantes dados nesse domínio, como é a campanha do PSD para as europeias, escolher como slogan uma ideia completamente contrária a essa nova filosofia.

Assinar por baixo é o que os cidadãos estão fartos de fazer e o que os leva a afastarem-se cada vez mais da participação política. A ideia da nova política e das novas formas de intervenção é envolver as pessoas na formulação dos projectos e na sua concretização. É fazê-las assinar por cima. Quem não percebeu isto, ainda compreendeu muito pouco daquilo que está a mudar na sociedade actual e das suas consequências políticas.
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