Governantes em Rede (Estar ou não estar nas redes sociais)

O semanário Expresso de 31 de Outubro chamou à sua primeira página uma notícia sobre o facto de antes de aceder à pasta, o novel Ministro da Agricultura ter participado activamente nas redes sociais e em particular no “Twitter”.

É um sinal dos tempos. Há uns anos dir-se-ia o mesmo de quem fizesse despachos sem ser em papel ou dum governante que usasse a Internet para comunicar. Hoje, no entanto, grande parte dos governantes usa a assinatura electrónica para despachar em base desmaterializada e não dispensa a Internet para trocar informação com os seus serviços ou fontes de conhecimento. A minha previsão é que dentro de alguns anos um governante será notícia não por estar nas redes sociais mas por lá não estar.

Da minha parte participo regularmente no Twitter e mantenho activo um Blog (www.fazeracontecer.net). Não penso deixar de o fazer por ser Membro do Governo. A filosofia é a mesma que me leva a manter esta crónica semanal no DS. Não usarei estes meios para comunicações institucionais em nome pessoal, mas enquanto cidadão considero que é salutar manter canais de comunicação directa com a sociedade civil e com aqueles que de livre vontade entendem ser interessante seguir-me nas redes sociais ou neste órgão de comunicação.

É comum dizer-se que é importante aumentar a ligação entre os políticos e a sociedade, dando-lhe melhor conhecimento da realidade e dos sentimentos e aspirações da opinião pública. A participação transparente nas redes sociais não é o único nem o mais importante veículo para que isso aconteça, nem substitui o contacto directo entre eleitores e eleitos, mas dá um contributo positivo que não deve ser menosprezado.

Neste domínio é sempre relevante citar a experiência da candidatura vitoriosa de Barak Obama. Nela, o uso da comunicação directa através das redes sociais foi decisiva para a vitória.

Certamente com recurso a muitos assessores de comunicação, a verdade é que Obama permanece activo na rede e permite que em todo o mundo milhões de pessoas o possam seguir. Não é o único. Só para dar um exemplo marcante Bento XVI está nas redes sociais e é uma das mais de 1500 pessoas e entidades de todo o mundo cujos pensamentos eu posso seguir no “Twitter”.

Não penso que estar nas redes sociais seja uma condição necessária para garantir uma governação moderna. No entanto, não sendo necessária, não é também negativa nem negligenciável. Como em tudo na vida tem que haver pioneiros que arriscam e assumem os benefícios e os riscos. Decidi estar entre esses pioneiros, consciente dos riscos da decisão. Será parte do meu processo de aprendizagem política permanente. Um passo no futuro. Afinal inovar é arriscar e como diz o povo “quem não arrisca não petisca”. Espero que seja um “petisco” partilhado e útil aos que me seguem e lêem.
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