Brexit - As pessoas primeiro

Na sequência do referendo sobre a permanência na União Europeia (UE), o Reino Unido acionou o artigo 50 do Tratado da União e se nada de superveniente ocorrerdeixará de ser seu membro no dia 29 de março de 2019. Falta menos de um semestre e muita coisa está ainda por definirDepois da cimeira de outubro ter sido inconclusiva, uma cimeira especial agendada para novembro tentará fechar um acordo de saída, que à partida não se afigura fácil, não obstante a visão otimista comunicada por ambos os lados.

Alguns dos cenários em cima da mesa representam enormes riscos políticos, económicos e sociais com graves prejuízos para os povos separados pela brecha que a leviandade dalguns líderes conservadores britânicos escancarou.

O simples facto de, a esta distância, ainda existirem múltiplos cenários que vão desde a saída sem acordo ao retrocesso através de um referendo e tendo no meio uma palete infindável de possíveis compromissos de entendimento mais benévolos e amigáveis ou mais conflituosos e disruptivos torna a vida dos cidadãos e das empresas que serão diretamente afetados um pesadelo de incerteza.

Um elemento relevante e que espero se mantenha firme é a disposição da União Europeia de não deixar retalhar o acordo nem prolongar indefinidamente situações de transição.

Aquatro liberdades de circulação devem ser tratadas de forma indissociável e os interesses da Irlanda têm que ser protegidos, designadamente através da definição de um modelo de fronteira que não limite a sua pertença plena à União e ao usufruto das regras comuns.

O Brexit é, na minha análise, um processo globalmente negativo para os cidadãos do Reino Unido, para os cidadãos da União Europeia e para o mundo em geral. No entantoa sua concretização decorre de uma escolha democrática que só democraticamente pode ser revertida. Se isso não suceder é preciso garantir que os custos da decisão serãominimizados e imputados de forma justa e transparente. 

Algumas medidas lúcidas podem dar uma ajuda, designadamente o respeito pelosdireitos dos cidadãos da União no Reino Unido e vice-versa e a negociação a prazo de uma parceria global que respeite todos os princípios das parcerias que a UE estabelece com outros países e regiões do mundo. Estas ações, associadas a uma solução para a fronteira irlandesa pode configurar um Brexit suave. 

Se o Reino Unido optar por um Brexit duro ou mesmo por sair sem acordo, não podemos hesitar e permitir que o risco inglês nos contamine mais do que o inevitável. Temos que ser duros e firmes na negociação, defendendo de forma unida e convicta os interesses dos povos da UE.      
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