Renovação em Curso

Aproximam-se eleições para o Parlamento Europeu marcadas em Portugal para 26 de maio e eleições para a Assembleia da República marcadas para 6 de outubro do ano corrente. As eleições são momentos nobres da democracia. É normal por isso que a sua aproximação agite os partidos políticos e os focalize mais na criação de propostas programáticas e na definição dos protagonistas a sujeitar à apreciação e escolha dos eleitores.

Como militante de um partido político desde há muitas décadas, em concreto do Partido Socialista, tenho participado ciclicamente nesses processos e voltarei a estar profundamente envolvido no que está atualmente em curso. São assuntos de debate interno e a minha intenção nesta crónica não é trazê-los para a praça pública.  O que quero relevar neste texto é o processo de renovação em curso no Partido a que pertenço, pelo seu simbolismo e pelo orgulho que sinto em ser parte dela. 

Em 1993, quando venceu eleições internas para secretário-geral do PS, António Guterres convidou a para a sua equipa política um vasto conjunto de jovens quadros políticos lançando uma nova geração de protagonistas em que me incluo e que incluiu muitos daqueles que representam hoje o Partido nas múltiplas frentes de ação, desde a liderança do governo, a múltiplas funções de elevada responsabilidade no plano executivo e legislativo.

Com os movimentos diversos que se têm verificado ao longo desta legislatura, a minha geração lançada por Guterres, está agora sob a liderança de António Costa a lançar uma nova geração de quadros políticos de elevada qualidade, assegurando assim um processo saudável de renovação que serve o Partido, mas sobretudo serve o País.

Quando era um jovem militante do PS e exigia com os meus contemporâneos, renovação e oportunidades para a nossa geração, pensava muitas vezes se eu próprio estaria à altura do que defendia, quando chegasse a minha vez de abrir espaço para os mais novos.

É por isso com enorme satisfação que constato a renovação em curso no PS. Renovação não significa afastamento dos mais experientes. Guterres que promoveu a grande renovação anterior, foi depois Primeiro-Ministro e é hoje Secretário-Geral das Nações Unidas. Sampaio que também contribuiu fortemente para isso foi Presidente da República. A renovação não é uma conta de diminuir, mas sim uma conta de somar. O seu resultado só pode ser medido pela qualidade da representação democrática. 

Acredito na nova geração política no PS e estarei ao seu lado para honrar e defender a democracia e os valores que partilhamos.    
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