O Poder da Cooperação

Realiza-se de 16 a 20 de março em Bucareste, sob os auspícios da Presidência Romena da União Europeia a 37ª reunião da Delegação Interparlamentar ACP/UE (África, Caraíbas e Pacífico / União Europeia) da qual sou membro efetivo e cuja comissão política também integro como membro efetivo.   

Embora os constrangimentos na definição dos recursos financeiros disponíveis pós - 2020 não tenham permitido ainda aprovar o novo quadro de cooperação financeira Pós-Cotonou, a parceria estratégica entre a UE e os ACP é decisiva para o futuro dos dois blocos e deve ser acarinhada e reforçada. Espero que esta mensagem saia fortalecida de Bucareste nas vésperas de umas eleições em que os cidadãos europeus vão ser chamados a escolher entre cooperação ou isolamento. 

Muitos dos problemas críticos com que a UE hoje se defronta têm mais fácil solução através da cooperação externa do que através do isolamento ou de medidas internas. O controlo dos fluxos migratórios desordenados provenientes sobretudo de África,resolvem-se melhor e com mútuo benefício apoiando o desenvolvimento económico sustentável dos territórios de proveniência desses migrantes, do que através da construção de barreiras ou da aplicação de métodos desumanos e intoleráveis de dissuasão ou repressão. 

No mesmo sentido, o apoio à educação dos jovens e à qualificação das empresas, a partilha de boas práticas ambientais, o apoio na criação de mais e melhores estruturas de saúde e o suporte ao desenvolvimento de sociedades civis mais robustas têm um duplo ganho, contendo riscos e abrindo oportunidades para os países ACP na UE e para os Países Europeus em África, nas Caraíbas e no Pacífico.  

Integro no atual mandato no Parlamento Europeu quatro delegações interparlamentares. A já referida delegação ACP/UE, a delegação UE/ América Latina (EUROLAT) a delegação UE/Mercosul e a delegação UE/Brasil. Em todas elas tenho defendido as vantagens do multilateralismo e da cooperação como caminho mais avisado para a humanidade enfrentar problemas cada vez mais ameaçadores resultantes do aumento das desigualdades, da erosão ambiental e do risco de conflitualidade generalizada.

O embrião da criação da União Europeia contém uma lição que não devíamos esquecer nunca.    Depois de duas guerras mundiais devastadoras com epicentro no território europeu, o desenvolvimento de uma estrutura de cooperação que se foi aprofundando permitiu 60 anos de paz e progresso. 

Costuma-se dizer que a diplomacia é a guerra sem armas. Se assim é, então a cooperação justa é o melhor instrumento diplomático para a paz. O mundo do século XXI precisa dele como uma condição básica de sobrevivência.
Comentários
Ver artigos anteriores...