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Paz e Felicidade

Escrevo este texto num dia em que o borbulhar da geopolítica global não difere muito dos dias anteriores e em que as perspetivas de que algo de substancial mude no futuro próximo são mínimas. 

A evolução da relação entre a União Europeia e o Reino Unido, a formação de um governo democrático e não populista em Itália, a procura de uma solução viável e progressista em Espanha, a luta dos habitantes de Hong Kong pela liberdade de expressão, os apelos ao fim da desflorestação na Amazónia, na Indonésia, em Africa e em tantos outros pontos do globo em que o imediatismo dos mercados rasteira diariamente o valor maior da conservação da biodiversidade e das condições de vida decentes para a humanidade, a tragedia dos tiroteios mortais nos Estados Unidos, tudo isto noticiado até a exaustão, gera uma clima de catástrofe global

Em contraste, muitos estudos e apreciações sérias e quantificadas, embora não escondendo as preocupações com o futuro, demonstram que em média nunca a humanidade teve acesso a tão boas condições de vida e segurança como nestes tempos que estamos vivendo. 

Usar as médias como indicadores provoca sempre entorses na análise, sobretudo   numtempo de grandes desigualdades.  A consciência que muito pode ser melhorado e alterado na governação global e territorial nunca nos deve abandonar. Nem a consciência nem a ambição de contribuirmos para essa mudança. Não devemos seguir a avestruz e enterrar a cabeça na areia face aos problemas.

O caminho dos que não se conformam, é procurarem uma outra perspetiva e uma outra forma de olhar e de avaliar a realidade e os seus desafios, para com isso darem maissentido à vida e contribuírem para transformar para melhor o mundo que os rodeia.

Na velha, mas sempre atual dicotomia entre o ser e o ter, quanto mais valorizarmos e defendermos o que conquistámos coletivamente, designadamente o espaço de paz, liberdade de expressão e oportunidade em que ainda se vai vivendo na União Europeia em geral e na nossa terra em particular, melhor nos poderemos mobilizar para sermos protagonistas dos grandes combates pelo futuro da nossa casa comum e da humanidade.

Não podemos ser insensíveis às notícias preocupantes que nos abalroam diariamente, mas também não desvalorizemos esse bem supremo que é vivermos em paz há mais de sessenta anos e termos, com os naturais constrangimentos de uma sociedade aberta, liberdade de escolha. Com paz e liberdade podemos, na medida de cada um, procurar ser felizes e partir d para irmos mais além na concretização dos valores e dos princípios que nos animam. 


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