"Cuba Livre" - Sobre o Acordo UE - Cuba

Donald Trump anunciou que vai fechar as portas que Obama tinha aberto para ajudar a reintegrar Cuba na comunidade internacional. Em oportuna reação a mais este retrocesso lamentável da administração americana, o Parlamento Europeu aprovou na sua sessão plenária de 4 de Julho, por larga maioria, um acordo de diálogo político e cooperação entre a União Europeia (UE) e Cuba, que põe fim à designada posição comum” que desde 1996 limitava fortemente as relações entre a UE e aquele País.

O acordo inclui uma dimensão política em que o respeito pelos direitos humanos, o combate ao terrorismo e o desenvolvimento sustentável são definidos como prioridades, uma dimensão de cooperação que envolve a criação de condições para uma maior participação da sociedade civil e uma dimensão comercial que cria as bases para o desenho de um futuro acordo de comércio mais fácil entre as duas partes.

Cuba está agora a dar os primeiros passos para sair do isolamento a que se votou e foi votada no quadro internacional. Hoje continua a ser governada por um regime que está longe de ser livre e democrático. Do meu ponto de vista, não é com ameaças e condenações, mas com respeito da soberania e diálogo franco que podemos influenciar as escolhas da sociedade cubana e aproximá-la das práticas democráticas e de respeito pelos direitos humanos que melhor servem o bem-estardo povo cubano.

Depois de ter sido “colonizada” ideológica e economicamente pelos Estados Unidos primeiro e pela União Soviética depois, a última coisa que os cubanos precisam é de um novo “colonizador”, seja ele americano, chinês, russo ou europeu.

Tendo uma cláusula que estipula a sua suspensão se Cuba violar as disposições relativas aos direitos e garantias, o acordo baseia-se no velho princípio de que “a falar é que as pessoas e os povos se entendem”.

Entre a UE, e em particular os países latinos, a América Latina e as Caraíbas existe uma matriz cultural comum que pode servir de base a um entendimento que ajude a conter as tentativas hegemónicas dos Estados Unidos e da China e a reforçar perspetiva de um mundo multipolar e baseado na cooperação multilateral entre os povos, os territórios e as nações

O acordo aprovado pelo parlamento europeu não liberta Cuba, mas ajuda o seu povo a poder fazer umaescolha e a dar passos nesse sentido. Vejamos que fórmula se vai juntar ao rum “caribenho” na “Cuba Livre” que desejo para o futuro. 


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