Revolução Tranquila (ou a teoria dos 3 blocos)



Não é impunemente que se chega à crónica nº 1000. Quero continuar a merecer a confiança e o agrado dos meus leitores de todas as semanas e também a confiança do Diário do Sul, grande exemplo da imprensa regional que sobrevive graças à fidelidade de quem o lê, ao empenho e à entrega do seu director e da família a quem passou o gosto pela comunicação e pela boa gestão e ao esforço de todos os seus colaboradores, que sempre me têm tratado com grande amizade e profissionalismo.


Assinalar a crónica número mil implica escolher um tema à altura. Vivemos tempos difíceis no País e na Europa. Não é a primeira vez. Precisamos de novo de pôr em prática uma revolução tranquila ao estilo da que Mitterrant (em parceria com Helmut Koln) impulsionou nos anos oitenta e que nos levou a este patamar de integração europeia.


Revolução tranquila implica mudança efectiva. Não é uma questão de vozearia, protesto atrás de protesto, tacticismo político e competição pela liderança da situação ou do contra.


Este ano político terrível que está a terminar foi marcado pela definição clara de três blocos políticos em Portugal.


O primeiro bloco, assumidamente de direita e neoliberal, tem vindo a aplicar uma receita de austeridade e empobrecimento para sanear as contas públicas, que falhou em toda a linha, ou seja, empobreceu quase toda a gente mas não saneou nada que se visse.


O segundo bloco é o bloco do protesto. Um bloco que agrega PCP, BE e Verdes e que foi um aliado objectivo da direita no derrube do governo socialista em 2011. É a sede das propostas mirabolantes mas impossíveis, da demagogia infrene, do sol na eira e chuva no nabal.


No meio desta deriva ideológica sem aderência à realidade, este ano viu emergir de novo o PS como a alternativa de esperança para os portugueses.


Uma alternativa revolucionária porque implica uma outra visão de Europa, de economia sustentável, de crescimento verde e de criação de emprego qualificado.

Mas ao mesmo tempo uma alternativa tranquila, porque institucional, inserida numa perspectiva de participação plena de Portugal na União Europeia e de respeito pelos nossos compromissos, pela nossa identidade, pela nossa história e pelas nossas alianças.

Este terceiro bloco, da esquerda democrática, é o bloco do futuro e da esperança. O ponto de partida para uma aliança de transformação com a sociedade, com os que não se resignam e com os que acreditam que é possível dar a volta ao desânimo e colocar de novo Portugal no caminho do progresso.

Para lutar por estes ideias de justiça e progresso já escrevi e publiquei neste espaço mil crónicas. Outras mil aí virão. A obra nunca está completa e remar contra a corrente é agora mais importante que nunca. É preciso saber sonhar e saber fazer acontecer.







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