Lideres do Sul

As funções de coordenação de diversas estratégias transversais de âmbito nacional e europeu permitem-me receber inúmeros convites para participar e intervir em eventos internacionais, muitos dos quais acabo por declinar ou repartir pela pequena / grande equipa que comigo trabalha directamente.

Nos últimos tempos, mantendo-se o nível de solicitações para comunicações e conferências no quadro da Estratégia de Lisboa e do Ano Europeu para a Criatividade e a Inovação, o que mais surpreende é o aumento de convites vindos de todo o mundo para explicar o Plano Tecnológico, como exemplo duma estratégia de focalização de políticas públicas e mobilização da sociedade, inovadora e bem sucedida.

Esta crónica, por exemplo, foi escrita em Budapeste, exactamente na sequência dum convite para apresentar o Plano Tecnológico, como ideia inspiradora para as políticas da Hungria e também para dar o novo impulso às relações comerciais entre a Hungria e Portugal.

Muitos perguntarão porque razão estando a economia portuguesa a seguir as mesmas dificuldades da economia europeia e mundial neste tempo de crise, o Plano Tecnológico desperta tanto interesse e admiração. A resposta está nos resultados reportados pelos estudos internacionais e que colocam Portugal como o Líder do Sul em inovação e em competitividade.

No inicio do corrente ano Portugal surpreendeu ao conseguir um assinalável progresso no European Innovation Scoreboard (EIS 2008) afirmando-se como o quinto País da UE com maior progresso relativo e deixando a última carruagem da inovação na Europa (a dos países em recuperação) para passar a integrar uma carruagem melhor frequentada (a dos Países moderadamente inovadores). Uma carruagem onde também viajam Grécia e Itália (atrás de nós) e Espanha (lado a lado mas com menos dinâmica).

Em 21 de Maio deste ano, um outro estudo compósito veio confirmar aquilo que o EIS 2008 já tinha enunciado. O Ranking do Institute for Management and Development (IMD 2009) colocou Portugal de novo como o quinto País com mais dinâmica da UE nos ganhos relativos de competitividade, distanciado positivamente dos outros países do Sul da Europa, designadamente de Espanha, Itália e Grécia.

Para além de ter um modelo de governação pouco habitual e muito eficaz (uma rede de coordenação com representantes pessoais de todos os Ministros) o Plano Tecnológico surpreende o mundo ao colocar Portugal em posição de liderança em domínios como a banda larga móvel, o uso de tecnologias na educação, a certificação de competências ou a sofisticação dos serviços públicos disponíveis na internet.

Ainda que o impacto do Plano Tecnológico ainda não tenha sido suficiente para contrapor a crise global, ele constitui uma fonte consistente de esperança no futuro. Os Países que hoje estão bem posicionados nos indicadores de criação de riqueza e emprego qualificado, começaram por se posicionar bem nos indicadores de inovação e de competitividade em que Portugal agora progride. Temos por isso de manter o rumo e a determinação e garantir a estabilidade política que nos consagrou como líderes do Sul
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