Assim falou Francisco



Na calorosa homilia que juntou 3 milhões de pessoas em Copacabana (Rio de Janeiro), no final das Jornadas Mundiais da Juventude, o Papa Francisco apelou aos jovens para que sejam agentes activos da mudança e protagonistas do seu futuro.

 

 “Tendes o futuro e sois o futuro, sede protagonistas da mudança”, proclamou um Pedro inconformado com os caminhos da humanidade. E aos seus pediu para servirem e serem mais próximos das pessoas e dos seus problemas, mais abertos às chagas do mundo para serem parte da sua cura. A igreja tem que se reformar em permanência para responder aos desafios da sociedade.

 

 Aos políticos fez o desafio supremo; que sejam capazes de reabilitar a política como a defesa do bem comum e a todos pediu para “não se excluírem nem se deixarem excluir”.

 

Ao apelar a uma igreja de ação, em vez duma igreja estritamente contemplativa e de reflexão, Francisco percebeu melhor do que ninguém o sentido dos tempos. Não se trata de misturar religião com política. Trata-se de lutar por valores universais num tempo em que eles estão cada vez mais capturados pelos grandes interesses económicos para quem as pessoas não são mais do que fatores de produção e potencial lucro.

 

Ao pedir uma sociedade de justiça e não uma sociedade de julgamento, um tempo de comunhão e não um tempo de intolerância, Francisco afirmou-se como uma voz lúcida do nosso tempo. Não apenas uma voz religiosa lúcida, mas uma voz humana que encarna a libertação de cada um e sua realização no mundo.

 

Muitos contrapõem que Mário Bertoglio é um conservador nos costumes. O relato do que escreveu e pensou comprova esta tese, mas a suprema sublimação é que Mário soube entender que não é Francisco.

 

Francisco foi escolhido não para ser Mário mas para usar o anel do amor supremo. Compreende e chama para junto de si mesmo os que não pensam como ele, para “destruírem as barreiras do egoísmo, da intolerância e do ódio e construírem um mundo novo”.

 

António Aleixo escreveu um dia; “Vós que lá do vosso império, proclamais um mundo novo, calai-vos que pode o povo, querer um mundo novo a sério”.

 

Francisco não proclama um mundo novo. Ele acredita que cada homem e cada mulher tomando o mundo nas suas mãos podem mudar o seu destino e o destino da humanidade.

 

Assim falou Francisco. E nós? Não vamos escutar? Vamos continuar o queixume dolente? Ou vamos para a luta? Eu já lá estou.    

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
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