Energia Jovem

Na minha qualidade de Coordenador em Portugal do Ano Europeu da Criatividade e Inovação tenho tido a oportunidade de visitar nas últimas semanas múltiplos eventos e iniciativas que convocam a energia jovem como uma componente fundamental da atitude necessária para fazer da crise que atravessamos uma oportunidade para Portugal se afirmar como um território mais inclusivo, vibrante e bom para se viver.

Bons exemplos disso foram a feira Alentejo Jovem que decorreu na Arena de Évora ou da SPOT – Feira da Juventude que decorreu no Centro de Congressos de Lisboa. Uma teve um perfil regional acentuado e a outra foi uma mostra de grande vigor internacional, com particular ligação ao espaço da língua portuguesa e ao espaço ibero-americano.

Estes eventos e a sua multiplicação por todo o País são muito importantes e promissores, não apenas pelo convívio e a troca de experiências que proporcionam como pelos ricos programas de debates e fóruns de discussão que os integram e sobretudo pela exposição de talento que perpassa dos vários projectos expostos, combinando de forma perfeita inovação, criatividade e cultura empreendedora.

A vida não está fácil para ninguém, mas são os jovens quem assumem hoje o desafio mais difícil. Criados, muitos deles, em ambientes de estabilidade profissional e de acesso ao rendimento vêm esse paradigma desmoronar-se perante os seus olhos e emergir um mundo com grandes oportunidades, mas também grandes riscos e incertezas.

Alguns preferem dourar a pílula, manter a ilusão e dizer que virão no futuro de novo tempos de pleno emprego, estabilidade e segurança. Podem vir e espero que venham tempos de oportunidades para todos, mas o pleno emprego tradicional, com a relação empregador/empregado e a partilha assimétrica do risco não voltarão mais.

Por isso, mesmo quando o sol da economia global voltar a brilhar, será fundamental que os nossos jovens tenham espírito empreendedor e energia para agarrar as oportunidades de realização e afirmação que começarão a surgir. É por isso que os eventos e iniciativas que convocam a vontade e a criatividade dos jovens são mais importantes agora do que nunca.

Repito. Os tempos estão difíceis. Não falta por aí quem proclame que nestes tempos de turbulência “mais vale estar quieto”. Soa bem, tem um toque da nossa identidade calma e serena, mas reflecte um erro de avaliação. A inércia de hoje apresentará uma factura elevada a curto prazo. Quem não quiser pagar a peso de ouro essa factura tem que se mexer agora. Ainda bem que há cada vez mais quem o esteja a fazer. Ainda bem que muitos jovens já o estão a fazer com força e convicção.
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