Instinto de Sobrevivência


 

Nos tempos complexos que hoje vivemos o instinto de sobrevivência é uma característica fundamental de qualquer político que ambicione estar na primeira linha da representação democrática. Sem ele teríamos situações incontroláveis de rotação e desistência e a ação política acrescentaria o caos ao caos destruindo os fundamentos do regime democrático.

 

No momento em que escrevo este texto tenho que reconhecer que Paulo Portas e Passos Coelho mostraram ter elevado instinto de sobrevivência. Lutam denodadamente e sem quartel pela manutenção do poder, agarrados a esse poder que nem lapas, num caso por teimosia pessoal e noutro por indução de grupo.

 

Mas tal como segundo rezam as crónicas médicas, não havendo vida saudável sem colesterol no sangue, existe bom e mau colesterol, também não havendo política saudável sem instinto de sobrevivência, há bom e mau instinto de sobrevivência.

 

O mau instinto de sobrevivência é auto-centrado. Paulo e sobretudo Pedro têm-se preocupado em salvar a própria pele, em manterem-se á tona dos seus partidos e a evitar umas eleições clarificadoras que permitiriam iniciar um novo ciclo no ajustamento de Portugal aos desafios da moeda única.

 

O bom instinto de sobrevivência tem sentido de estado e foca-se no serviço aos outros e no interesse geral. Os bons políticos têm instinto da sobrevivência deles próprios, mas têm sobretudo instinto de sobrevivência das comunidades que lideram e dos povos que neles confiaram.

 

Não me parece que Portas e sobretudo Passos tenham tido esse instinto. Afinal Coelho apressou-se a confirmar que a substituição de Gaspar por Maria Luis Albuquerque era um sinal de continuidade. Ora continuidade nas políticas significa desastre nacional e falhanço acrescido.

 

O instinto de sobrevivência de Passos Coelho é puramente pessoal e do seu grupo de interesses. O instinto de Portas parece menos sectário mas não resistiu aos cantos de sereia dos instintos pessoais dos seus correligionários.

 

Estamos assim todos dependentes de um outro instinto. Do instinto presidencial. Dele se espera por natureza que seja fundado no interesse geral e não na imagem ou nos preconceitos pessoais, mas nem sempre tem sido assim. A esperança contudo deve ser a última a morrer. Que tenha bons instintos, Sr. Presidente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     
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