Obama da Silva

As eleições presidenciais americanas de 4 de Novembro marcaram um ponto de viragem para o mundo tal como o conhecemos. A vitória clara de Barak Obama foi recebida com satisfação, júbilo e esperança na América e um pouco por todo o planeta. Não fez no entanto desaparecer como por magia a crise profunda que afecta a economia global. Essa expectativa que alguns alimentavam era infundada e não se concretizou.

Obama só inicia funções em Janeiro de 2009. Além disso, o efeito da sua eleição será potente mas não directo e imediato. A grande mudança no caminho que levou Obama à vitória foi o envolvimento de milhares de eleitores que estavam afastados da participação política. De facto, nas eleições de 4 de Novembro, 68% dos novos eleitores e 66% dos eleitores com menos de 30 anos escolheram Obama. Os estudos de opinião mostram também que se todo o planeta pudesse ter votado, estas percentagens teriam sido ainda mais avassaladoras!

Estes dados mostram que o efeito da eleição de Obama é estrutural e profundo, mas que tem que contaminar primeiro as pessoas e as comunidades antes de se reflectir numa retoma sustentada da economia mundial. Foi assim que Obama ganhou as eleições americanas e só assim essa vitória se transformará num motor de progresso e envolvimento à escala do globo.

Por muito que isso desiluda os mais entusiasmados, a vitória de Obama só por si não resolve nada. Cria no entanto melhores condições para que cada um de nós ajude a encontrar novos caminhos de progresso num quadro de participação e cooperação multipolar.

Após as legítimas celebrações dos que estiveram com Obama, não podemos esperar sentados os resultados duma vitória histórica! Este é um tempo para agir e para estarmos à altura da mudança.

Como vai a Europa colocar-se à altura da vitória de Obama? Como o fará Portugal e cada um de nós? Estas são as questões essenciais. O efeito da vitória de Obama será tanto maior quanto cada um de nós compreender a mensagem e se assumir como seu intérprete.

O impacto da vitória de Barak Obama depende menos dele próprio do que daquilo que fizer “Obama da Silva”, Ou seja você, eu, os nossos vizinhos e amigos, os nossos concidadãos, os europeus, os asiáticos, os africanos, os das Américas e os da Oceânia.

Ele pôde e nós podemos, mas a mudança exige esforço continuado, vontade férrea e cooperação alargada à escala do globo. A boa notícia é que cada um de nós é parte da solução. Essa é também a má notícia para os que acreditam que as coisas podem cair do céu, ou da Casa Branca no caso vertente.
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