Serenidade - Reflexões, Introspecções e desejos para 2020

Podemos consultar o registo do dia em que nascemos, mas não o do dia em que vamos partir numa barcaça serena para lá do rio do esquecimento. No ciclo da vidaestou agora a dobrar a última curva, com a esperançade que possa cumprir bafejado de luz, a longa reta que ainda me é permitido avistar, até ao seu ocaso, a oriente.
Os primeiros vinte anos de vida foram de descoberta de mim mesmo e das regras do mundo. Sucederam-se duas décadas de escolha e enraizamento que marcaram indelevelmente o que fui, o que sou e o que serei. Os vinte anos que que agora se esgotam, foram tempos de aceleração, vertigem e experiências que nunca julguei poder viver. Chego a 2020 grato à vida e grato a todos quantos lhe deram sentido.
Entro agora no quarto quartil da minha vida. Na transição da década, doze passas de uva não serãosuficientes para dar sabor a tudo o que me motiva e ainda gostava de concretizar. Porque não mastigar então 13 desejos, ou 15, ou 21?  Ficar prenhe de sonhos e projetos? Porque não olhar para trás e ver o que fez a diferença entre a realização e a frustração, entre a sensação de felicidade e a angústia de me sentir a percorrer a margem errada. 
Neste exercício de memória e fusão há um sentimento que emerge, que esteve sempre presente quando valeu a pena, nos bons e nos maus momentos, nas horas felizes e nos tempos de tristeza, nos diálogos construtivos e nas ruturas dolorosas e fecundas, nas espirais criativas e nas caminhadas no deserto.
Esse sentimento maior foi, é e será a serenidade. Algo que se sente, mas é difícil de definir e sobretudo de decompor numa fórmula simples. Algo que só tem se formos capazes de irradiar para atrair. Algo em que somos credores de tudo e de todos os que nos rodeiam.
Nesta início de um novo ciclo junto tudo  num único desejo. Amor, amizade, saúde, projetos, sonhos, para mim e para o mundo, para os que me rodeiam, para os que recordo e para os que antecipo. Para tudo e para todos. Para mim também. Tudo isso tem uma chave; Serenidade. O contrário do conformismo e da desistência, da fúria e da raiva. A fonte da lucidez.

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