Consenso de Lisboa

Não é a primeira vez que nesta coluna escrevo sobre Lisboa como ponto de partida para novas descobertas, soluções ou modelos. Não será certamente também a última. A verdade é que Portugal e Lisboa têm esta vocação, como terras de encontro e desencontro, miscigenação e evolução.

Termina hoje na capital portuguesa o Congresso Mundial da União Internacional das Telecomunicações (ITU). Tratou-se de um Fórum Global da mais elevada importância para a definição da política de telecomunicações em todo o planeta. Nele participaram mais de cem delegações nacionais e dezenas de outras delegações sectoriais ou profissionais e foram lançados os alicerces duma caminhada que conduzirá a um novo patamar de consenso sobre o futuro da internet e da sua governação, bem como do seu impacto na nova ordem económica mundial.

Porquê Lisboa para este encontro tão decisivo e estruturante. Três razões explicam e justificam esta escolha. Portugal tem uma prática de referência neste domínio, quer consolidá-la ainda mais e é reconhecido como um País que compreende e articula sensibilidades diversas e é portanto um local adequado para promover dinâmicas de convergência.

Ficar ligado ao inicio de um processo que permita um novo patamar de confiança e equidade na gestão das redes globais de comunicações é muito importante para Portugal e reforça a ambição legitima de nos posicionarmos como um País na fronteira tecnológica nestes domínios, designadamente na qualidade das infra-estruturas, na universalidade dos acessos, na eficiência energética induzida e na adopção dos mais modernos padrões normativos e regulatórios.

É velha a metáfora de que as novas redes de informação são novos oceanos que desafiam a navegação e a descoberta. Mas sendo velha a metáfora, não deixa de ser renovado o desafio para um País que sempre fez da descoberta de novas rotas o seu principal trunfo de sobrevivência e afirmação internacional.
Comentários
Ver artigos anteriores...