O Lado Iluminado




 

Quando não nos deixamos afogar na melancolia ou submergir na febre consumista, estes tempo de natal e ano novo são bons para visitar a vida. Para relembrar e reencontrar os amigos, para estar mais tempo com a família e para finalmente agendarmos o encontro sempre adiado connosco próprios.    

 

A vida é uma dádiva extraordinária, mas a consciência de termos sido escolhidos para esta experiência maravilhosa raramente nos conduz diretamente à felicidade. O medo que nos assola de podermos estar a desperdiçar o tesouro, é por vezes tão forte que acaba por conduzir ao seu efetivo desperdício, à erosão do sentido da vida e ao enfraquecimento da alegria de viver.

 

Quero partilhar com todos os meus leitores uma mensagem adequada aos tempos, sem ser lamechas, banal ou intrusivo nas escolhas e vontades de cada um. Não tenho nenhuma poção mágica para restaurar a alegria e a felicidade. Apenas me ocorrem palavras simples e a sensação que é entre as coisas simples que podemos encontrar a chave para disfrutar o tesouro da vida.    

 

Gostava de vos lançar um desafio. O desafio de procurarem perante as coisas do dia-a-dia, ver o seu lado bom, antes de tomar consciência também do seu lado mau e agir sobre ele.

 

Instalou-se, sobretudo na Europa, uma forma de olhar que valoriza o discurso sobre o que está mal, os problemas do mundo e os problemas de cada um. Quando esse discurso conduz à ação é bem-vindo. No entanto, pelo que vou observando, o queixume é quase sempre uma desculpa para nada fazer, nem pelos outros nem por nós próprios.

 

É claro que somos quotidianamente rodeados de injustiça, pobreza, violência. Cada caso é em si mesmo intolerável. Mas globalmente, sabemos que o mundo sempre teve esses ingredientes e que hoje mais do que nunca, sobretudo na Europa, temos sistemas que ajudam a mitigar o seu impacto, sobretudo se cada um de nós em vez de denegrir esses sistemas, os ajudar a serem capazes de cumprir a sua missão.  

 

A dignidade e a felicidade são as irmãs gémeas da vida com sentido. Combinar e generalizar em nós e no mundo a dignidade e felicidade não é tarefa fácil. Os grandes tesouros normalmente não se encontram por mapas óbvios. Por mim proponho-me tentar ver cada vez mais o lado bom das coisas para estar mais forte para enfrentar o seu lado mau.

 

Neste tempo desafio-vos a pensar se não faz sentido olhar o tesouro da vida pelo seu lado iluminado. Não custa dinheiro e torna o mundo melhor. O nosso e o dos outros.
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