Viva A Liberdade




 

Quando aterrei em Lisboa, chegado de um voo transatlântico, na madrugada de dia 14 de Novembro, senti no rosto das pessoas uma estranha inquietação. Não demorou muito tempo a saber a razão. O meu telemóvel estava inundado de mensagens e de notícias ainda algo difusas sobre mais um ciclo de atentados em Paris.

 

Naquele momento, como deve ter acontecido com milhões de outras pessoas por toda a Europa, fui invadido por uma imensa angústia. Um sentimento de que nada voltaria a ser como dantes, depois de ver brotar mais uma vez do nosso próprio tecido social os gérmenes da sua autodestruição.

 

Vieram-me de súbito à memória as imagens de horror que marcaram tantos ciclos de intolerância na história da humanidade. Temos agora que ser capazes de ser diferentes, sem deixar de ser fortes. Não nos podemos deixar subjugar ao ódio nem ao medo. Temos que agir.

 

Os terroristas abominam o nosso modo de vida, a nossa liberdade de escolha, a nossa forma de viver. Muitos justificam que isso se deve a não terem sido integrados esquecendo que uma coisa é a integração e a dignidade social que todos merecem como princípio (e em que por vezes falhámos) e outra é a assimilação que a nossa cultura de tolerância não força.

 

 Não é em vão que proclamamos os valores da liberdade, da igualdade e da fraternidade e que procuramos cada vez mais lutar contra os que querem mercantilizar o Homem e retirar-lhe a oportunidade de ser digno e feliz.

 

Como já dizemos e fizemos muitas vezes, em tantas outras feridas cravadas no corpo da nossa sociedade aberta e tolerante, o 14 de Novembro exige ação. Temos que reforçar os serviços de segurança, para separar o trigo do joio e não deixar contaminar a ira por comunidades que na sua larguíssima maioria são inocentes.

 

Temos que lutar com as ideias mas também com as armas defensivas mais potentes que tivermos. E não podemos sucumbir ao medo. Deixar de sermos como somos. Livres, diversos, viajantes.

 

 No dia em que nos tolhermos com receio e deixarmos de viver como sonhámos viver, os inimigos da sociedade aberta celebrarão o seu triunfo e não os podemos deixar triunfar.

 

É claro que vamos correr riscos acrescidos. Mas não há luta sem riscos. O Ocidente precisa de heróis. Gente que cante a liberdade mesmo quando for perigoso cantar a liberdade. Gente que pratique a liberdade mesmo que quando for perigoso praticar a liberdade. A barbárie não passará.   

 

 

 
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