O Falhanço da Coligação (e como fazer diferente)






 

Ao contrário daquilo que o Governo proclama, não ocorreu na legislatura que agora se esgota nenhuma reforma estrutural na economia ou na sociedade portuguesa. Foram quatro anos perdidos de sofrimento e empobrecimento.

 

A austeridade, foi uma estratégia de maquilhagem, que ajudou sobretudo a transferir recursos das pessoas para os grupos de interesse e que não contribuiu para resolver nenhum dos problemas de fundo do nosso País.

 

Assim que por razões eleitorais o governo afrouxou algumas políticas de austeridade, destapou-se o que já era evidente para os que compreendem com alguma profundidade os mecanismos da economia. Os frágeis e injustos equilíbrios conjunturais desmoronaram-se como um castelo de cartas.

 

Durante a legislatura que agora termina o governo encolheu a economia, encolheu o capital social do País, empobreceu a maioria das pessoas, mas não favoreceu nenhuma mudança positiva na estrutura económica do País. Em consequência, assim que afrouxou um pouco o garrote da austeridade, os desequilíbrios reapareceram, em particular os desequilíbrios da balança externa.

 

A opção do Governo foi descrita como uma estratégia de oferta de baixo valor. Em síntese, o Governo apostou em quebrar o rendimento das famílias e o emprego para baixar salários e gerar excedentes de baixo valor acrescentado para exportação. Uma estratégia de empobrecimento puro e duro.

 

Os setores mais bem-sucedidos na economia portuguesa foram aqueles que não seguiram a estratégia do governo, o que mostra bem o rotundo falhanço da coligação.

 

Na sequência desta estratégia económica baseada na oferta de baixo valor acrescentado, não basta contrapor uma estratégia baseada na procura, porque como vimos essa operação só por si desequilibra a balança comercial.

 

O caminho necessário para Portugal são as reformas estruturais que ficaram por fazer e que com a mudança política em Outubro poderão finalmente ocorrer.

 

Em concreto, o quadro macroeconómico apresentado pelo PS descreve um modelo viável de reformas estruturais e de mudança de patamar competitivo, embora tenham que ser mais desenvolvidas, no quadro da sua aplicação em concreto, as políticas de qualificação das pessoas e de incentivo à inovação de processos e produtos, por parte das empresas e dos empreendedores.

 

Essa deve ser aliás a principal prioridade do quadro comunitário de apoio Portugal 2020, associado a uma reforma da administração pública que permita criar um contexto favorável à subida da nossa economia nas cadeias de valor. Só com essa subida é possível gerar crescimento sustentável e criar emprego qualificado, induzindo condições para um aumento estrutural do valor das exportações e da procura interna, permitindo assim que as pessoas vivam melhor e sejam mais felizes em Portugal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
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