Prestação de Contas


Quando se exerce, como eu exerço, um mandato que me foi outorgado pelo votodos portuguesas e dos portugueses, a prestação de contas é um dever fundamental. Procuro exercê-lo por todos os meios acessíveis e adequados.

Publico em média, por semana, três crónicas na imprensa regional e nacional em que embora não me foque sempre temas diretamente ligados ao meu mandato, a experiência vivida está bem presente. Participo numa emissão radiofónica semanal sobre a relação entre a agenda europeia e a agenda nacional. Exploro o melhor que posso e sei as redes sociais para comunicar. Envio mensalmente para uma alargada base de endereços uma newsletter em que presto contas da minha atividade. Nos fins de semana que venho a Portugal procuro sempre ter pelos menos uma sessão de debate numa escola ou universidade e outra numa instituição da sociedade civil, respondendo aos múltiplos convites que me vão sendo formulados. Tento aproveitar todos os momentos proporcionados pelos media para esclarecer e divulgar o que faço. 

O exercício, no entanto, não é fácil. Recentemente um reconhecido amigo chamou-me à atenção para o facto de que acompanhando pela newsletter e pelos meus artigos a profundidade do meu trabalho em domínios como o digital ou a energia, sempre que me via nos canais de TV ou na imprensa generalista, não comentava esses temas, mas antes a atualidade imediata, muitas vezes de politica nacional. Segundo ele, em função disto a maioria dos eleitores não conhece o meu trabalho especializado e o seu impacto nas suas vidas e isso não ajuda à mobilização contra a abstenção. 

O meu amigo tem razão no diagnóstico. Mais difícil é combater o contexto que conduz a esta situação. Em muitos dos debates em que participo um pouco por todo o País, falo mais de uma hora sobre temas europeus, mas se por exemplo na sequência de uma pergunta, uso um minuto para comentar a agenda nacional, é esse minuto que passa na comunicação social. Se não fizer nenhuma cedência ao imediato, o mais certo é que o evento não exista na comunicação.

Os eurodeputados e outros responsáveis das instituições europeias não têm sido capazes de colocar os assuntos europeus no topo da agenda mediática. Sem essaagenda no topo a prestação generalizada de contas torna-se um exercício muito difícil.

Não desistirei, e peço a cooperação para isso dos meus leitores, de tentar colocar os temas europeus no topo da agenda sem os reduzir a tiradas superficiais e de mero combate partidário. Até lá continuarei a tentar combinar diversos meios e recursos para chegar o mais longe possível. Todas as sugestões para melhorar são bem-vindas.
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