Paixão (contra a abstenção)

As eleições europeias voltaram a ter uma elevada taxa de abstenção quer em Portugal quer na generalidade da União Europeia. Interferindo as Instituições Europeias em geral e o Parlamento Europeu em particular em mais de 75% das leis, regras e normas que enquadram a vida quotidiana dos europeus, é lamentável que eleição após eleição os níveis de participação se mantenham tão reduzidos.
Ao longo da última campanha eleitoral fui muitas vezes questionado sobre como motivar os cidadãos a votar, interessá-los pelos temas em debate, fazê-los desejar ser protagonistas do mais extraordinário projeto comum de desenvolvimento que existe no globo. 
Há muita coisa que pode ser feita no plano da técnica, da lei, do método ou do discurso para reduzir os níveis de abstenção. Convenço-me, no entanto, cada vez mais, que a chave está na perceção.  Quando falamos da nossa freguesia, concelho, cidade ou País sentimos-mos parte deles. Falamos de Portugal e temos a noção implícita ou explicita de que Portugal somos nós. Já quando falamos de União Europeia (UE) pensamos muitas vezes que a UE são eles, algo indefinido, os comissários, os funcionários, os técnicos, a máquina.
O Partido Socialista, pelo qual me voltei a candidatar ao Parlamento Europeu e que venceu estas eleições, adotou como slogan base a ideia de que Somos Europa. E somos. Por isso a Europa somos nós. Temos que gostar da Europa como gostamos de nós. Temos que sentir que o seu sucesso ou o seu insucesso é o nosso sucesso ou o nosso insucesso. Temos que ser capazes de nos apaixonar pela parceria europeia como nos apaixonamos pela terra pátria ou pela nossa terra.     
Agradeço profundamente aos portugueses e às portuguesas que confiaram em mim para mais um mandato de representação democrática. Sei que em parte a abstenção em Portugal é fruto duma ausência de fraturas que são um pilar positivo da nossa maturidade democrática. Mas sei também que outra parte é fruto da falta de paixão pelo mais extraordinário projeto de paz, liberdade e desenvolvimento sustentável do mundo em que vivemos.
Nas minhas viagens oficiais ou particulares encontro muita gente apaixonada pela UE sem que possa cumprir o sonho de um dia aqui viver.   Usei parte do mandato que agora cessa a tentar espalhar a paixão pela UE. Seguirei essa linha no próximo. A paixão é o melhor remédio contra a abstenção.  
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