O Oráculo de Sócrates




 

Com a sucessão de entrevistas e o lançamento em grande estilo da edição em livro da sua tese de mestrado, José Sócrates voltou ao grande plano do cenário político nacional. Desde esse momento que toda a gente me pergunta, ciente que durante seis anos trabalhei em grande proximidade com o ex - Primeiro-ministro, se Sócrates vai voltar! Se quer voltar e para que lugar quer voltar?

 

Não sei a resposta. Nunca falei com o próprio sobre o tema. Mas posso refletir alto sobre o assunto. É o que faço nesta crónica.

 

Não perceberam já todos que verdadeiramente José Sócrates nunca partiu nem poderia partir? E mesmo que essa aparência tivesse enganado alguns, não é agora já evidente para todos que ele está cá e não poderia deixar de estar?

 

Sócrates pelo seu perfil e determinação não precisa de nenhum lugar formal para opinar e influenciar a política portuguesa. Para servir de pedra de toque com a qual se podem e devem comparar as politicas que se seguiram, os estilos de governo que os eleitores escolheram e os resultados que se obtiveram.

 

Acredito pelo que conheço que Sócrates deseje pessoalmente desempenhar esse papel, tendo esse direito tanto mais claro quanto nunca os seus detractores o deixaram de flagelar na sua ausência física. Acredito também que mesmo que não o desejasse Sócrates seria chamado a continuar uma referência activa na política portuguesa.

 

 Para o bem e nalguns casos para o menos bem ele marcou o Século XXI português. Muitos grandes políticos marcaram o nosso século XX. Sócrates é o primeiro com lugar já reservado na galeria do Século XXI.

 

Cada político tem o seu estilo. Considero por exemplo que o País tem sido muito ingrato com António Guterres. Ingrato não apenas por não valorizar a grande obra que fez mas também por não polemizar os erros que também cometeu. Guterres tal como Barroso e Santana são parêntesis na governação. Já Sá Carneiro, Soares, Cavaco e Sócrates criaram um choque emocional. Ninguém lhes é indiferente. Há quem goste e quem odeie. Há quem se iluda e quem se desiluda, mas vivos ou mortos (como é o infeliz caso de Sá Carneiro) activos ou capturados são pilares de referência da nossa democracia.

 

Não faço ideia qual será o futuro político de Sócrates. Que se desiludam no entanto os que o querem ver pelas costas. Um homem com o seu carisma e com a sua força estará sempre por perto na nossa história, vivo ou morto.

 

Espero que vivo e com saúde por muitas e boas décadas.

 

 
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